Uma ação conjunta do Ministério Público do Piauí (MPPI), em parceria com a Polícia Militar, Polícia Civil e historiadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI), resultou na apreensão e salvaguarda de um valioso acervo documental do período do Brasil Império. Denominada Operação Guarda-Mór, a ofensiva cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços distribuídos pelos municípios de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco.
Entre as peças resgatadas estão processos judiciais pertencentes ao Tribunal de Justiça do Estado, artefatos culturais e documentos de inestimável valor para a história do Piauí — incluindo registros vinculados à Batalha do Jenipapo (1823) e livros cartorários com registros do período escravagista no Império.

Preservação do Patrimônio e Risco de Deterioração
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Segundo o Ministério Público, a intervenção judicial foi necessária após a constatação de que parte expressiva do acervo, sob a guarda de uma fundação privada, encontrava-se em situação de abandono e risco iminente de deterioração. Tentativas anteriores de diálogo para mapear e proteger o material não obtiveram resposta dos responsáveis.
A operação recebeu o nome de Guarda-Mór em alusão ao cargo do período colonial e imperial encarregado da custódia dos arquivos públicos e documentos reais, ressaltando a responsabilidade do Estado na conservação da memória documental da Nação.
Perícia e Catalogação Histórica
Todo o material apreendido passará por um processo de restauração, catalogação e análise técnica conduzido por especialistas do Departamento de História e do Núcleo de Pesquisa em História e Memória do Piauí (UFPI).
O objetivo do trabalho pericial é mensurar a dimensão do acervo resgatado, garantindo que esses registros fundamentais da formação social e política do Brasil oitocentista permaneçam acessíveis à pesquisa acadêmica e à preservação da história nacional.