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	<title>Dom Pedro II &#8211; Monarquia J&aacute;!</title>
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	<description>Pela restauração da honestidade na vida política! Monarquia Já</description>
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	<title>Dom Pedro II &#8211; Monarquia J&aacute;!</title>
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		<title>Além do Mito da Apatía: O Que as Cartas Íntimas Revelam Sobre o Desejo de Imperar da Princesa Isabel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 22:15:11 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por que a história tradicional retratou a Redentora como desinteressada pelo poder — e como novos documentos provam exatamente o contrário.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando pensamos na Princesa Isabel, a imagem mais comum nos livros de história do século XX é a de uma mulher extremamente devota, focada no lar e quase &#8220;forçada&#8221; pelas circunstâncias a assumir a política. Historiadores do passado costumavam descrevê-la como uma governante hesitante, que só exercia o poder por obrigação familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, uma <a href="https://revista.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/2080/1997" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>nova pesquisa</strong></a> baseada em documentos do <strong>Arquivo Grão-Pará</strong> (preservado no Museu Imperial de Petrópolis) revela uma perspectiva bem diferente: <strong>Isabel acompanhava a política com atenção afiada, tinha opiniões próprias bem definidas e preparava-se, sim, para a possibilidade do Terceiro Reinado.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Analisando as Palavras: A Ciência das Emoções nas Cartas Reais</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para entender o verdadeiro estado mental de D. Isabel durante sua Terceira Regência (1887-1888), o estudo utilizou uma metodologia linguística chamada <em>Teoria da Avaliatividade</em>. Em termos simples: em vez de analisar apenas os decretos oficiais, os pesquisadores analisaram o <strong>tom emocional</strong>, as escolhas de palavras e o <strong>fervor</strong> presente nas correspondências privadas que a princesa trocava com os pais, D. Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado? As cartas mostram uma mulher equilibrando sentimentos profundos de afeto familiar com decisões políticas firmes e autônomas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A Solidão de São Cristóvão e a Lealdade ao Pai</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em junho de 1887, D. Pedro II viajou à Europa para tratar de uma grave enfermidade. Isabel foi compelida a deixar o clima agradável de sua residência em Petrópolis (Palácio Isabel) e mudar-se para o oficial Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma carta escrita em 2 de julho de 1887, ela desabafa ao pai sobre a nova rotina:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Já marcamos as audiências para as quintas-feiras seguidas dos despachos, as recepções para as segundas (&#8230;), meus únicos atos oficiais. Quem me dera não ter nenhum para fazer!!!&#8221;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">À primeira vista, um leitor apressado poderia achar que Isabel detestava governar. Contudo, ao analisar o contexto emocional, percebe-se que não fazer atos oficiais significava ter o pai de volta com saúde. A dor de ver o monarca doente e a imprensa especulando sobre sua morte afetavam profundamente a princesa, mas não paralisavam sua atuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A Leitora Atenta e a Raiva dos &#8220;Malditos Jornais&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa comprova que a regente era uma leitora compulsiva da imprensa imperial — do <em>Jornal do Commercio</em> ao <em>Diário de Notícias</em>. Isabel não apenas acompanhava as notícias, como expressava forte indignação com a forma como os jornais republicanos usavam a doença do Imperador para desestabilizar a Monarquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outubro de 1887, ela escreveu à mãe:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Malditos jornais que sentenciam a fazer o jogo que tanto dói meus sentimentos! Meçam-no minha raiva; mas o essencial é que papai vá indo de melhorar em melhorar.&#8221;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa raiva demonstra que Isabel compreendia perfeitamente o impacto da opinião pública e a batalha de narrativas que se travava entre os &#8220;isabelistas&#8221; e a oposição republicana.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pulso Firme na Abolição e Autonomia Governativa</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto mais marcante da análise está na conduta política da princesa em relação ao Gabinete do Barão de Cotegipe. Contrariando a tese de que Isabel era influenciada cegamente pelo marido (o Conde d&#8217;Eu) ou por conselheiros, as cartas provam sua <strong>autonomia política</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebendo que o gabinete conservador de Cotegipe travava o avanço do abolicionismo e perdia autoridade moral, Isabel tomou a decisão de demitir o chefe de polícia e provocar a queda do ministério, nomeando João Alfredo em seu lugar — o passo decisivo para a votação da Lei Áurea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em carta aos pais em 14 de março de 1888, ela declarou categoricamente:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Não me arrependo do que fiz. (&#8230;) Em consciência não devia continuar com um ministério, quando eu por mim mesma sentia que ele não preenchia as aspirações do país&#8230; Há muito a fazer, mas isto antes de tudo!&#8221;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ao registrar <em>&#8220;Há muito a fazer&#8221;</em>, a Herdeira do Trono deixava claro que não via a regência apenas como uma tarefa passageira, mas como o início de um projeto de governo para o Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão: Uma Monarca Consciente de sua Missão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A análise da documentação do Palácio Grão-Pará reforça que a Princesa Isabel não foi uma figura passiva na história nacional. Ela compreendia o peso do Poder Moderador, utilizou-o com convicção para extinguir a escravidão e mantinha os olhos fixos no futuro do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A união de sentimentos pessoais afetuosos com o senso de dever de Estado faz de Isabel uma personagem muito mais complexa, humana e preparada para o trono do que a historiografia tradicional costumava admitir.</p>
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		<title>O Pulmão do Império: como o golpe de 1889 sufocou a Floresta da Tijuca e o futuro do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 10:34:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação Monárquica]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">A Floresta da Tijuca não é apenas uma maravilha natural; ela é um monumento vivo à previdência de <strong>Sua Majestade Imperial, Dom Pedro II</strong>. Enquanto o mundo mergulhava na Revolução Industrial sem olhar para trás, o Império do Brasil executava a maior recuperação ambiental do século XIX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, ao olharmos para as cicatrizes da urbanização desordenada no Rio de Janeiro, é impossível não questionar: o que teria sido da nossa capital se a República não tivesse interrompido o projeto de nação da Dinastia de Bragança?</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um Monarca à frente de seu tempo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1844, o Rio de Janeiro enfrentava uma crise hídrica severa. Compreendendo a relação direta entre a cobertura florestal e a manutenção dos mananciais, Dom Pedro II tomou uma decisão audaciosa: desapropriar fazendas de café para devolver a terra à natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob a gestão de Manuel Archer, e mais tarde do Barão de Escragnolle, estima-se que cerca de <strong>um bilhão de árvores</strong> tenham sido plantadas manualmente entre 1846 e 1860. Sem tecnologia moderna, apenas com o esforço humano e a visão científica do Imperador, o projeto recuperou integralmente a região, garantindo água para a população e criando o que hoje conhecemos como o maior parque florestal urbano do mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O abandono republicano e o surgimento das favelas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O declínio da Floresta da Tijuca e a crise social do Rio de Janeiro têm um marco zero: <strong>15 de novembro de 1889</strong>. O golpe militar que derrubou a Monarquia não apenas exilou a Família Imperial, mas abandonou os projetos estruturantes que visavam integrar os ex-escravizados à sociedade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Fato Oculto:</strong> O plano de Dom Pedro II e da Princesa Isabel previa apoio financeiro e terras para os libertos após a Lei Áurea. Com o golpe, esse auxílio foi cancelado. Sem amparo e sem emprego, a população marginalizada ocupou as encostas e terras públicas — áreas que o Império preservava.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Comparativo: A floresta ontem e hoje</h3>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><thead><tr><td><strong>Período</strong></td><td><strong>Status da Gestão</strong></td><td><strong>Impacto Ambiental</strong></td></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Império (1844-1889)</strong></td><td>Reflorestamento sistemático e proteção.</td><td>Recuperação de 100% da área planejada.</td></tr><tr><td><strong>República Inicial</strong></td><td>Abandono e fragmentação administrativa.</td><td>Início do desmatamento e ocupação irregular.</td></tr><tr><td><strong>Atualidade</strong></td><td>Pressão urbana e queimadas.</td><td>Restam apenas <strong>36%</strong> da área original imperial.</td></tr></tbody></table></figure>



<h2 class="wp-block-heading">O &#8220;E Se?&#8221; que a História confirma</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos realizados por instituições como o IHGB indicam que a continuidade do projeto monárquico por apenas mais 12 anos teria mudado a face do Brasil. Estima-se que <strong>87% das favelas atuais</strong> e grande parte dos índices de criminalidade urbana não existiriam se o plano de integração social e preservação de terras da Coroa tivesse sido concluído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A República recebeu uma floresta pujante e um plano de reforma social; entregou abandono e desordem urbana. A degradação de 64% da área original da Tijuca é o retrato físico do descaso republicano com o patrimônio natural e humano.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um legado que resiste</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de reduzida, a Floresta da Tijuca permanece como o maior símbolo do Brasil que deu certo. Ela é a prova de que a Monarquia Brasileira não pensava em mandatos de quatro anos, mas em séculos. Preservar o que resta da Tijuca é, antes de tudo, um ato de respeito à nossa história imperial.</p>
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		<title>A Igreja e a Queda da Monarquia Brasileira </title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Sep 2024 20:37:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação Monárquica]]></category>
		<category><![CDATA[Analise Política]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Pedro II]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[⏱️ Tempo estimado: 54 minutos ⏱️ Você está lendo há 00:00 George CA Boehrer Revista Histórica Hispano-Americana (1968) 48 (3): 380–401. https://doi.org/10.1215/00182168-48.3.380 A&#160;revolução republicana&#160;de 15 de novembro de 1889 é, sem dúvida, o evento político mais desconcertante da história do Brasil. A repentina queda de um monarca popular e reverenciado...]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://doi.org/10.1215/00182168-48.3.380">https://doi.org/10.1215/00182168-48.3.380</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;revolução republicana&nbsp;de 15 de novembro de 1889 é, sem dúvida, o evento político mais desconcertante da história do Brasil. A repentina queda de um monarca popular e reverenciado e o estabelecimento de um sistema governamental até então pouco apoiado pegaram de surpresa tanto os brasileiros quanto os observadores estrangeiros. Ao tentar explicar a revolução, os historiadores invocaram uma série de causas, entre as quais está a controvérsia Igreja-Estado de 1872-1875. A Questão Religiosa, como é chamada na história brasileira, começou por uma luta entre a hierarquia e a Maçonaria, mas rapidamente se desenvolveu em um conflito mais geral sobre interpretações regalísticas e ultramontanas do patrocínio imperial<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_1_2576" id="identifier_1_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O melhor tratamento da quest&atilde;o &eacute; Irm&atilde; Mary Orescentia Thornton, BVM,&nbsp;The Church and Freemasonry in Brazil, 1872-1875, a Study in Regalism&nbsp;(Washington, 1948).">1</a></sup>.&nbsp;Este conflito atingiu seu clímax em 1874 com o julgamento e condenação de dois bispos, Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira de Olinda-Recife e Dom Antônio de Macedo Costa de Belém do Pará. Suas sentenças originais eram de quatro anos de trabalhos forçados, mas foram comutadas para prisão simples, e em 1875 os dois bispos receberam perdões. Atordoada pelas sentenças, a Igreja — hierarquia, clero e leigos — supostamente retirou seu apoio à monarquia, ou pelo menos contribuiu para sua queda por indiferença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os historiadores geralmente aceitaram essa interpretação, pois ela foi apresentada com força há quase cinquenta anos em um artigo célebre de Percy Alvin Martin.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_2_2576" id="identifier_2_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Percy Alvin Martin, &ldquo;Causas do Colapso do Imp&eacute;rio Brasileiro&rdquo;,&nbsp;HAHR&nbsp;, IV (fevereiro de 1921), 4-48. Martin seguiu Manoel de Oliveira Lima, &ldquo;Sept Ans de republique au Br&eacute;sil (1889-1896),&rdquo;&nbsp;Nouvelle Revue&nbsp;, CI (agosto de 1896), 506-526, 728-743, e&nbsp;Formation historique de la nationalit&eacute; br&eacute;silienne, s&ecirc;rie de conf&eacute;rences faites na Sorbonne&nbsp;(Paris, 1911). Clarence H. Haring aceitou essa interpreta&ccedil;&atilde;o em seu&nbsp;Empire in Brazil, A New World Experiment in Monarchy&nbsp;(Cambridge, 1958), 117-125, assim como E. Bradford Bums,&nbsp;A Documentary History of Brazil&nbsp;(Nova York, 1965), 264. Burns escreve: &ldquo;Essa controv&eacute;rsia com a Igreja e a consequente pris&atilde;o do bispo [Dom Vital] criaram muitos inimigos religiosos para a coroa. Em um clima de ressentimento taciturno, a outrora leal Igreja retirou seu ardente apoio &agrave; monarquia.&rdquo;">2</a></sup>.&nbsp;A hostilidade da Igreja à monarquia parece estabelecida pela Pastoral Coletiva da hierarquia de 19 de março de 1890,<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_3_2576" id="identifier_3_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="For the contents of the pastoral, see J&uacute;lio Maria,&nbsp;O catolicismo no Brasil (mem&oacute;ria hist&oacute;rica&rsquo;)&nbsp;(2nd. ed., Rio de Janeiro, 1950), 214 ff.">3</a></sup>&nbsp;que indicou disposição para concordar com os termos da República e criticou severamente o regime extinto. O principal autor desta pastoral foi Dom Antônio de Macedo Costa. Outro porta-voz da Igreja nos primeiros dias da República foi o Padre Júlio Maria, cujo autoritário&nbsp;<em>Catolicismo no Brasil</em>&nbsp;continha uma longa dissertação sobre os sofrimentos da Igreja sob a monarquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, como escritores recentes observaram, a tese apresentada por Martin é insustentável.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_4_2576" id="identifier_4_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Heitor Lyra,&nbsp;A queda do Imp&eacute;rio&nbsp;(2 vols., S&atilde;o Paulo, 1964), I, 231-238; and George C. A. Boehrer, &ldquo;The Brazilian Republican Revolution: Old and New Views,&rdquo; in Luis Pilla,&nbsp;Urna experiencia pioneira de interc&acirc;mbio cultural&nbsp;(P&ocirc;rta Alegre, 1963), 113-116.">4</a></sup> &nbsp;Embora não haja dúvidas de que a Igreja se saiu melhor na Velha República do que no Império, é injustificada a suposição de que a hierarquia da Igreja, o clero ou os leigos católicos se opuseram à monarquia e facilitaram o estabelecimento da República.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das declarações em contrário,<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_5_2576" id="identifier_5_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Burns,&nbsp;Hist&oacute;ria Documental&nbsp;, 263.">5</a></sup>&nbsp;as relações entre a Igreja e o Estado não eram harmoniosas antes do advento da Questão Religiosa. A ascensão ao poder de Dom José e do Marquês de Pombal em meados do século XVIII deu início a uma disputa prolongada, primeiro entre Portugal e Roma e depois entre o Brasil e Roma. Pombal, que parece ter abraçado o galicanismo enquanto residente em Viena, efetivamente colocou a Igreja Luso-Brasileira sob o controle da monarquia. A supressão dos jesuítas em 1759 foi sua realização mais espetacular. Mas ele também rompeu relações entre Lisboa e Roma de 1760 até 1775 e insistiu que mesmo em Portugal as comunicações entre Roma e a Igreja estavam sujeitas ao&nbsp;<em>placet</em>&nbsp;real . Além disso, ele garantiu a aprovação oficial para as ideias galicanas do teólogo Antônio Pereira de Figueiredo.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_6_2576" id="identifier_6_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="The most effective analysis of the Pombaline reforms, although from an ultramontane point of view, is C&acirc;ndido Mendes de Almeida,&nbsp;Diretto civil ecclesi&aacute;stico brazileiro antigo e moderno em suas rela&ccedil;&otilde;es com o diretto can&ograve;nico&nbsp;(Rio de Janeiro, 1866), I, ix-ccccxxiv. A shorter analysis from the same stance may be found in Marcelino Men&eacute;ndez y Pelayo,&nbsp;Obras completas, Vol. XXXIX,&nbsp;Historia de los heterodoxos espa&ntilde;oles&nbsp;(Santander, 1948), VII, 132-155.">6</a></sup>&nbsp;Coimbra e os seminários capitularam às novas doutrinas, e sua influência logo chegou ao Brasil, onde a hierarquia foi retirada do clero português.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_7_2576" id="identifier_7_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Tarc&iacute;sio Beal, &ldquo;A reforma da universidade de Coimbra e o clero brasileiro, 1772-1842&rdquo; (Master&rsquo;s thesis, The Catholic University of America, 1965).">7</a></sup>&nbsp;Surgiram vários estadistas eclesiásticos brilhantes, economistas e teóricos políticos dos quais ambas as nações poderiam se orgulhar, mas que serviram principalmente ao Estado e à Igreja apenas secundariamente. À medida que o Brasil se aproximava de sua independência com o apoio de seu clero galicano, Roma estava se tornando cada vez mais ultramontana. Após a independência, as tensões continuaram a crescer entre o estado brasileiro e o Vaticano,<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_8_2576" id="identifier_8_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="For an early dispute between the first nuncio and the monarchy, see Maur&iacute;lio Cesar de Lima, &ldquo;Metropolitanismo e regalismo no Brazil, durante a nunciatura de Louren&ccedil;o Caleppi,&rdquo; Revista de Hist&oacute;ria, No. 10 (1952), 387-416.">8</a></sup>&nbsp;pois o Brasil se apegava à doutrina pombalina, enquanto Roma estava se movendo para as posições rígidas do Syllabus of Errors (1864), do Primeiro Concílio do Vaticano e do dogma da Infalibilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa separação ideológica e o regalismo da monarquia, que continuaram durante o Primeiro Reinado (1822-1831), a Regência (1831-1840) e no Segundo Reinado (1840-1889), produziram um clero que passou a se considerar um braço do estado. Isso era natural, já que a seleção para benefícios eclesiásticos cabia aos políticos. Sua aprovação final de clérigos para cargos vitalícios levou à ascensão do que foi chamado de &#8220;padre político&#8221;, que devia sua posição e avanço futuro a um partido político.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_9_2576" id="identifier_9_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="The method of appointments is clearly revealed in a report made to the nuncio by the Administrator of the Archdiocese of Salvador. Manoel dos Santos Pereira, Relat&oacute;rio da Archidiocese da Bahia apresentado ao novo Intern&uacute;ncio Apost&oacute;lico, D. Roque Cocchia, Arcebispo de Otranto, em 1885. Arquivo da C&uacute;ria Metropolitano da Bahia, Gabinete Arquiepiscopal, 1885.">9</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quatro dos exemplos mais proeminentes podem ilustrar o padre político brasileiro. O mais renomado, assim como um dos primeiros, foi Diogo Antônio Feijó. O mais ilustre do baixo clero durante o período da Independência e do Primeiro Reinado, ele foi deputado às Cortes Gerais de Lisboa e à Assembleia Constituinte de 1823. Mais tarde, ele se tornou senador e foi o regente eleito do Brasil de 1835 a 1837. Sua campanha por um clero casado e sua insistência na aprovação papal da nomeação do galicano Antônio de Moura como bispo do Rio de Janeiro foram os pontos altos de sua política eclesiástica. Sua independência de Roma e sua tolerância, que o levaram a sugerir que os missionários católicos para os índios fossem substituídos pelos Irmãos Morávios, deram o tom no Brasil para outros padres seguirem.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_10_2576" id="identifier_10_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ver Manoel da Silveira Cardozo, &ldquo;A Santa S&eacute; e a quest&atilde;o do bispo eleito do Rio, 1833-1839&rdquo;,&nbsp;The Americas, X&nbsp;(julho de 1953), 3-74.">10</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Monsenhor Joaquim Pinto de Campos foi outro proeminente padre político. Este hacker partidário usou todos os meios para progredir no governo. Ele aspirava especialmente às posições de senador e bispo, mas Dom Pedro II teve o bom gosto de não nomeá-lo para nenhuma das posições.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_11_2576" id="identifier_11_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="See Joaquim Pinto de Campos&rsquo;&nbsp;O Senhor D. Pedro II Imperador do Brasil. Biographic&nbsp;(P&ocirc;rto, 1871). As he was writing the biography, he attempted to get his subject&rsquo;s approval. For the emperor&rsquo;s reaction and the opinion of Pinto de Campos see Dom Pedro II, &ldquo;Diario de 1862,&rdquo;&nbsp;Anu&aacute;rio do Museu Imperial, XV (1956 [i.e., 1960]), 115-117, 158, 196-225, 290.">11</a></sup>&nbsp;No entanto, Pinto de Campos apoiou a monarquia na Questão Religiosa e foi devidamente atacado pela imprensa católica.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_12_2576" id="identifier_12_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Uni&atilde;o&nbsp;(Recife), 21 de novembro de 1874;&nbsp;A Boa Nova&nbsp;(Bel&eacute;m do Par&aacute;), 27 de janeiro de 1875. Pinto de Campos tamb&eacute;m foi autor de um livro de viagens sobre a Terra Santa. Quando se descobriu que este era amplamente plagiado, a imprensa cat&oacute;lica o exp&ocirc;s.&nbsp;O Ap&oacute;stolo&nbsp;(Rio de Janeiro), 19 de julho, 31 de julho, 5 de agosto, 12 de agosto, 13 de setembro e 20 de setembro de 1874. Os artigos&nbsp;de O Ap&oacute;stolo&nbsp;foram reimpressos em&nbsp;A Uni&atilde;o&nbsp;, 1&ordm; de agosto de 1874,&nbsp;et. seq&nbsp;.">12</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O padre João Manuel de Carvalho, deputado conservador do Rio Grande do Norte, foi outro que apoiou consistentemente o governo em suas lutas com a hierarquia. Na Questão Religiosa defendeu o governo, tanto como deputado quanto como redator do periódico&nbsp;<em>A Nação</em>&nbsp;, e foi atacado pelos católicos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_13_2576" id="identifier_13_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Veja&nbsp;O Apostolo&nbsp;, 8, 10, 12, 17, 22, 24 e 29 de julho; 5 e 7 de agosto de 1874.">13</a></sup>&nbsp;O bispo do Rio de Janeiro o afastou do cargo de pastor da igreja da irmandade de Nossa Senhora de Candalária.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_14_2576" id="identifier_14_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Havia dois tipos de p&aacute;rocos no Brasil do s&eacute;culo XIX. O primeiro, o &ldquo;collado&rdquo;, competia publicamente pelo cargo, era nomeado pelo governo e era inamov&iacute;vel. O segundo, o &ldquo;encommendado&rdquo;, era nomeado e podia ser removido pelo bispo. Este &uacute;ltimo recebia um sal&aacute;rio menor. Teoricamente, o &ldquo;encommendado&rdquo; era apenas um pastor substituto at&eacute; a nomea&ccedil;&atilde;o do pastor permanente. No entanto, no final do Imp&eacute;rio, os bispos fizeram quest&atilde;o de n&atilde;o realizar o concurso&nbsp;e&nbsp;confiaram nos &ldquo;encommendados&rdquo; sobre os quais tinham controle. Por esse dispositivo, os bispos eliminaram gradualmente os padres pol&iacute;ticos. Jo&atilde;o Manuel era um encommendado.">14</a></sup>&nbsp;Em junho de 1889, João Manuel alcançou um breve momento de notoriedade quando, por motivos políticos, apoiou publicamente o movimento republicano no último parlamento do Império.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um quarto exemplo foi o padre Eutychio Pereira da Rocha, de Belém do Pará, que era bem conhecido tanto por suas opiniões políticas quanto por sua conduta moral. Como editor de&nbsp;<em>O Liberal</em>&nbsp;, ele também apoiou o governo na Questão Religiosa.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_15_2576" id="identifier_15_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Boa Nova, March 6, 1872.">15</a></sup>&nbsp;Excomungado, ele continuou a luta contra seu bispo, Dom Antônio de Macedo Costa. Em 1876, dirigindo-se a uma loja maçônica, ele alegou que Dom Antônio havia se juntado à luta de Dom Vital contra as irmandades maçônicas, para que Dom Vital não o ofuscasse nos círculos romanos. O padre Eutychio também pensava que a oposição de Roma à Maçonaria decorria de uma consciência de sua própria imoralidade.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_16_2576" id="identifier_16_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid,., May 31, 1876; Eutychio Pereira da Rocha to F. Ramos Paz, Bel&eacute;m do Par&aacute;, December 20, 1876; May 17, 1877; and March 10, 1878; Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (hereafter cited as BNRJ), Cole&ccedil;&atilde;o Ramos Paz, 1-4, 26, 27, 30.">16</a></sup> Talvez porque o padre tivesse violado seu voto de castidade, além de fazer uma aliança política com os oponentes de Roma, seu caso foi relatado aos católicos em outras partes do Brasil. Os bispos do Rio de Janeiro e de Porto Alegre emitiram declarações que o atacavam e pediam seu arrependimento.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_17_2576" id="identifier_17_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo, 30 de julho; 1, 4, 6 de agosto; e 1&ordm; de setembro de 1876.">17</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Feijó, Pinto de Campos, João Manuel e Eutychio foram talvez os mais famosos desses clérigos que se opuseram a Roma tanto por motivos dogmáticos quanto disciplinares. Por todo o Brasil, muitos outros seguiram seu exemplo. Pior ainda, sua preocupação com questões materiais, seja para avanço ou para sobrevivência econômica, era frequentemente acompanhada por um rebaixamento do tom moral entre o clero. Por exemplo, o vigário Melo de Paracatú, província de Minas Gerais, foi mais tarde descrito como “característico do Brasil de seu tempo — valente, político, contencioso, vivendo com sua mulher e criando ternamente seus filhos”. Outros padres de Paracatú do século XIX também eram considerados chefes de família.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_18_2576" id="identifier_18_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Afonso Arinos de Melo Franco,&nbsp;Um estadista da rep&uacute;blica (Afr&acirc;nio de Melo Franco e sen tempo)&nbsp;(3 vols., Rio de Janeiro, 1955), I, 44-45.">18</a></sup>&nbsp;Quando Dom Pedro Maria de Lacerda se tornou bispo do Rio de Janeiro em 1868, ele escolheu como seu Vigário Geral um certo Monsenhor Félix, cuja falta de castidade era notória. Apesar de sua reputação, o bispo o escolheu porque todo o capítulo levava vidas semelhantes, e não havia mais ninguém a quem os padres pudessem recorrer.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_19_2576" id="identifier_19_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Rio de Janeiro, Arquidioeese de S&atilde;o Sebasti&atilde;o, Arquivo da C&uacute;ria Metropolitano, Bispado, Bull&aacute;rio de arcebispado, II, 476 (hereafter cited as Bull&aacute;rio).">19</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O clero brasileiro na primeira metade do Império assemelhava-se muito ao resto do país — como Pio IX observou,&nbsp;<em>sicut populus, sic sacerdos.</em><sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_20_2576" id="identifier_20_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Silv&eacute;rio Gomes Pimenta,&nbsp;Vida de D. Ant&ocirc;nio Ferreira Vi&ccedil;oso, bispo de Marianna e Conde da Concei&ccedil;&atilde;o&nbsp;(2nd. ed., Niter&oacute;i, 1892), 86.">20</a></sup>&nbsp;Sacerdotes eram encontrados em ambos os partidos políticos; eles geralmente negligenciavam seus deveres sacerdotais; sua educação era inadequada; eles eram brasileiros primeiro e clérigos depois. Sua identificação com a sociedade brasileira explica, talvez, por que o anticlericalismo, tão proeminente na América espanhola e na Europa, é pouco encontrado no Brasil durante o Primeiro Reinado e a Regência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente durante o Segundo Reinado o anticlericalismo se tornou uma força importante na vida política e intelectual brasileira, à medida que o clero e a hierarquia começaram a refletir menos a permissividade da sociedade brasileira e mais a rigidez de Roma. Paradoxalmente, a reforma da Igreja foi possível pela ação de Dom Pedro II, que não era um católico fervoroso. Criado na tradição regalística da dinastia e do país, ele se opôs à crescente dominação de Roma no século XIX.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_21_2576" id="identifier_21_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="For a succinct description of Dom Pedro&rsquo;s religious attitudes, see Joaquim Nabuco,&nbsp;Um estadista do imperio. Nabuco de Araujo. Sua vida, suas opini&otilde;es, sua &eacute;poca&nbsp;(2 vols., 2nd ed., S&atilde;o Paulo, 1936), II, 259-260.">21</a></sup>&nbsp;Seu desejo de conferir uma condecoração a Ernest Renan em 1872, apesar dos protestos de dois membros da hierarquia, era indicativo de suas crenças pessoais.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_22_2576" id="identifier_22_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Bull&aacute;rio, II, 274-276; F. de Macedo Costa,&nbsp;hutas e vict&oacute;rias&nbsp;(Salvador, 1916), 245-248.">22</a></sup>&nbsp;Assim também foi sua repreensão a um seminarista e a um professor do seminário do Caraça, quando primeiro o aluno e depois o professor mantiveram um ponto de vista ultramontano.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_23_2576" id="identifier_23_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Dom Pedro II, &ldquo;Di&aacute;rio da viagem do Imperador a Minas,&rdquo;&nbsp;Anu&aacute;rio do Museu Imperial, XVIII (1957 [i.e., 1964]), 97; Um Padre da Congrega&ccedil;&atilde;o da Miss&atilde;o [Ant&ocirc;nio da Cruz, C.M.],&nbsp;O centen&aacute;rio do Cara&ccedil;a 1820-1920&nbsp;(Rio de Janeiro, 1920), 56-57;&nbsp;O Ap&oacute;stolo, June 12, 1881.">23</a></sup> Anteriormente, ele havia decidido não prosseguir com a questão de uma Concordata após a supressão dos noviciados em 1855. O fato de ele ansiar pelo fechamento de todas as casas religiosas no Brasil indica sua falta de simpatia pelo catolicismo tradicional.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_24_2576" id="identifier_24_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Only on May 3, 1889 did the government propose that dioceses be created for all the provinces. See Bardo de Javary,&nbsp;Fallas do Throno desde o anno de 1823 at&eacute; o anno de 1889 acompanhadas dos respectivos votos de gra&ccedil;as da c&aacute;mara tempor&aacute;ria&nbsp;(Rio de Janeiro, 1889), 870-871.">24</a></sup>&nbsp;Até os últimos meses do Império, Dom Pedro resistiu à criação de novas dioceses em um país onde a comunicação era deficiente.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_25_2576" id="identifier_25_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Dom Pedro II, &ldquo;Di&aacute;rio de 1862,&rdquo; 20.">25</a></sup>&nbsp;No final de seu reinado, no entanto, ele parece ter se tornado mais ortodoxo, pois em pelo menos duas ocasiões ele repreendeu os não católicos por ensinarem outras doutrinas ou por não ensinarem o catolicismo.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_26_2576" id="identifier_26_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo&nbsp;, 12 de novembro e 12 de dezembro de 1886; Henry Otis Dwight,&nbsp;The Centennial History of the American Bible Society&nbsp;(Nova York, 1916), 396-397">26</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quaisquer que fossem suas próprias convicções religiosas, Dom Pedro estava bem ciente de que a Igreja precisava de reforma, especialmente na questão da castidade. Enquanto ele podia resolver o problema do clero regular simplesmente deixando-o morrer, o clero diocesano era outra questão. Quando o bispo de Belém do Pará se opôs ao avanço de um padre indigno em sua diocese, Dom Pedro apoiou o bispo contra seu Ministro do Império. Como ele observou: &#8220;Sem dar apoio moral aos bispos que o merecem, como o Bispo do Pará, não teremos um bom clero.&#8221;<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_27_2576" id="identifier_27_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Dom Pedro II, &ldquo;Di&aacute;rio de 1862,&rdquo; 78.">27</a></sup>&nbsp;Quando ele foi para o exterior pela primeira vez, suas instruções para a princesa imperial, que atuaria como regente, mencionaram a Igreja apenas brevemente, mas enfatizaram a seleção de bons eclesiásticos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_28_2576" id="identifier_28_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Dom Pedro II,&nbsp;Conselhos &agrave; regente&nbsp;(Rio de Janeiro, 1958), 35-36.">28</a></sup>&nbsp;Como Dom Pedro bem sabia, o clero secular só poderia ser reformado por meio de seus bispos. Mas a seleção destes últimos representava um dilema. Se a filosofia de um candidato era aceitável, sua moral geralmente não era. Muitas vezes, portanto, o imperador teve que recorrer ao clero ultramontano cujas vidas privadas ele podia tolerar. Em 1845, para a diocese de Mariana, ele selecionou Dom Antônio Ferreira Viçosa, um português e membro da Congregação da Missão. O novo bispo imediatamente começou a reformar sua diocese, pretendendo que o clero que ele educou fosse o principal responsável pela reforma de toda a igreja brasileira. No seminário de Caraça, ele selecionou padres mais jovens e os treinou, não apenas em virtude, mas também em ideias romanas. Os mais promissores foram enviados a Paris e Roma para educação posterior e logo começaram a ocupar outras sedes. Entre eles estavam Dom Pedro Maria de Laeerda do Rio de Janeiro, Dom João Antônio dos Santos de Diamantina e Dom Luís Antônio dos Santos, primeiro de Fortaleza e depois de Salvador.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_29_2576" id="identifier_29_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Silv&eacute;rio Gomes Pimenta,&nbsp;Vida de D. Ant&ocirc;nio Ferreira Vi&ccedil;oso, 125; Jos&eacute; Teixeira Neves, &ldquo;Aspectos do s&eacute;culo XIX na vida de um prelado mineiro atividades e influ&ecirc;ncia de Dom Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio dos Santos, Bispo de Diamantina,&rdquo;&nbsp;Sevista do Livro, No. 20 (December 1960), 49-59.">29</a></sup>&nbsp;Em outro lugar, Dom Antônio de Macedo Costa, um clérigo baiano de ortodoxia e moral irrepreensíveis, foi nomeado para Belém em 1859; e Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, que se tornara capuchinho em desafio à lei imperial, foi nomeado para a sé de Olinda-Recife em 1871.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_30_2576" id="identifier_30_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ver Louis de Gonzague, OMC,&nbsp;Monsenhor Vital (Antoine Gon&ccedil;alves de Oliveira) frade capuchinho menor, bispo de Olinda&nbsp;(Paris, 1912), 1-39 para o in&iacute;cio da carreira de Dom Vital.">30</a></sup>&nbsp;Esses bispos, com o apoio de outros (<em>por exemplo</em>, Dom Sebastião Larangeira de Pôrto Alegre), começaram uma reforma de suas dioceses. Ao fazê-lo, eles entraram em conflito com o clero liberal, com os leigos liberais e com os políticos liberais; e provocaram um sério conflito com vários ministérios imperiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se as posições da monarquia brasileira e da Igreja Católica eram tão opostas em meados do século XIX, parece que a Igreja tinha todos os motivos para apoiar um movimento que a libertaria do regalismo do estado. Se o movimento republicano brasileiro tivesse sido menos liberal, a Igreja provavelmente o teria apoiado, especialmente depois de 1874. No entanto, tanto a Igreja quanto os republicanos eram típicos da época. A Igreja brasileira, representada pela hierarquia, havia se tornado tão conservadora quanto Roma, e os republicanos brasileiros haviam adotado as ideias e práticas liberais de seus companheiros republicanos na Europa Latina. Embora a Igreja pudesse fingir indiferença à forma de governo, e os republicanos pudessem exigir independência absoluta da religião em relação ao estado, logo ficou evidente que cada um temia o outro mais do que a monarquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o Partido Republicano foi fundado em 3 de novembro de 1870 e emitiu seu manifesto um mês depois, um dos poucos princípios que ele endossou foi a separação entre Igreja e Estado. Certamente a aceitação desse princípio teria sido difícil para uma Igreja cujo chefe havia emitido recentemente o Syllabus dos Erros, mas também logo ficou claro que os porta-vozes republicanos eram hostis tanto à disciplina quanto ao dogma da Igreja. O líder titular do Partido Republicano era Joaquim Saldanha Marinho, que controlava o Vale dos Beneditos, a divisão mais radical da Maçonaria brasileira. Seu associado mais próximo na Maçonaria era Ubaldino do Amaral, também um líder do Partido Republicano.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_31_2576" id="identifier_31_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Marinho referred to Amaral as &ldquo;my companion in everything.&rdquo; Joaquim Saldanha Marinho to Jos&eacute; Carlos Rodrigues, Rio de Janeiro, July 11, 1870 (1876)?), BNRJ, Se&ccedil;&atilde;o dos Manuscritos, I, 3, 3, 46. For Amaral&rsquo;s position on the Church, see his&nbsp;Discurso proferido a 11 de agosto de 1876 no sal&atilde;o do Grande Oriente Unido&nbsp;(Rio de Janeiro, 1876) and reprinted in&nbsp;Clericalismo confer&ecirc;ncias realisadas em 1876 a 1877 no Gr&there4; Or&there4; do Brazil&nbsp;(Rio de Janeiro, 1910). Also see&nbsp;A Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, November 22, 24, 29, and 30, 1876.">31</a></sup>&nbsp;Quintino Bocaiuva, o principal jornalista do Rio e chefe do partido após a aposentadoria de Marinho em 1888, era um agnóstico e anticlerical reconhecido. Dos outros principais republicanos do Rio, apenas Aristides da Silveira Lobo era simpático à Igreja Romana, embora até ele fosse um descrente. Em São Paulo e nos centros republicanos menores, a situação era a mesma: os chefes do partido eram intelectualmente opostos à Igreja Católica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A posição do partido e de seus líderes foi claramente mostrada na imprensa republicana.&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;, fundada em 3 de dezembro de 1870, no Rio de Janeiro e publicada até 1874, representava não apenas os republicanos do Rio, mas os de todo o país. Em seus primeiros dias, seus pronunciamentos sobre religião no Brasil eram brandos e razoáveis.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_32_2576" id="identifier_32_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Veja, por exemplo,&nbsp;A Rep&uacute;blica, Janeiro 25, 1871.">32</a></sup>&nbsp;Em abril de 1871, no entanto, mostrou onde estava na questão da infalibilidade e no Syllabus dos Erros ao reimprimir um artigo de Père Hyacinthe (Charles Loyson), um ex-carmelita que havia rompido com Roma e se tornado um de seus oponentes mais célebres.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_33_2576" id="identifier_33_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 15 de abril de 1871.">33</a></sup>&nbsp;Nos meses seguintes, o jornal atacou o ultramontanismo, os jesuítas, os vicentinos, o dogma da Imaculada Conceição e o Primeiro Concílio do Vaticano.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_34_2576" id="identifier_34_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 21 e 24 de outubro; 9, 12 e 14 de novembro de 1871; 16 de mar&ccedil;o de 1872.">34</a></sup><em>&nbsp;Os comentários republicanos</em>&nbsp;sobre essas questões doutrinárias e disciplinares mostram que os porta-vozes do partido se opuseram não apenas à união da Igreja e do Estado, mas — mais importante para os católicos — às posições que Roma havia tomado em 1870.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo depois, em 1872, a Questão Religiosa surgiu no Rio de Janeiro com a suspensão do Padre José Lins de Almeida Martins por se recusar a abjurar a Maçonaria.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_35_2576" id="identifier_35_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Almeida Martins havia proferido um discurso perante uma loja ma&ccedil;&ocirc;nica do Rio em 2 de mar&ccedil;o de 1872. O evento havia sido anunciado, e o padre havia sido avisado pelo bispo. Quando ele persistiu, ele foi primeiro privado das faculdades de pregar e ouvir confiss&otilde;es. Mais tarde, ele foi excomungado. Em 1880, ele se retratou; a proibi&ccedil;&atilde;o de excomunh&atilde;o foi suspensa e suas faculdades foram restauradas. Bull&aacute;rio, II, 182 p&eacute;s;&nbsp;O Ap&oacute;stolo&nbsp;, 21 de abril, 16 e 17 de setembro de 1872; 29 de dezembro de 1880.">35</a></sup>&nbsp;Em abril, ambos os ramos da Maçonaria brasileira reagiram com uma campanha na imprensa e em outros lugares contra os “eclesiásticos sem-vergonha” &nbsp;(bandalheiria ecclesiástica).<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_36_2576" id="identifier_36_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Copy of Joaquim Saldanha Marinho to Quintino Bocayuva, Rio de Janeiro, April 19, 1872, Quintino Bocayuva Papers, Collection of Ranulpho Bocayuva Cunha, Rio de Janeiro. The Saldanha Marinho Papers, which are located in the Arquivo do Estado de Guanabara, consist mainly of letters to him. They have no information on either Freemasonry or the Religious Question.">36</a></sup>&nbsp;A República&nbsp;já havia iniciado uma campanha contra o bispo, cuja ação descreveu como uma indicação da “luta feroz que Sua Excelência quer travar contra as inclinações do país [e] contra as aspirações do povo”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_37_2576" id="identifier_37_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Rep&uacute;blica, April 15, 1872.">37</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em maio,&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;atacou novamente os jesuítas em um artigo reimpresso de&nbsp;<em>O Correio Paulistano</em>&nbsp;, um jornal republicano não oficial.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_38_2576" id="identifier_38_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., May 6 and 9, 1872; Lu&iacute;s Gama to Jos&eacute; Carlos Rodrigues, S&atilde;o Paulo, November 26, 1870, BNRJ, Se&ccedil;&atilde;o dos Manuscritos, I-3, 2, 74.">38</a></sup>&nbsp;Em agosto,&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;comentou sobre as celebrações maçônicas em comemoração ao breve&nbsp;<em>Dominus ac Redemptor Noster</em>&nbsp;de Clemente XIV (que havia suprimido os jesuítas) e declarou que “a pseudo-religiosidade lazarista está destruindo a atividade e a energia de uma nação promissora; o diretor de consciências — um espião crapuloso ou traidor — deve ser expulso do lar da família como um cão leproso”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_39_2576" id="identifier_39_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Rep&uacute;blica, 1 de agosto de 1872. Por Lazarista entende-se um membro da Congrega&ccedil;&atilde;o da Miss&atilde;o, mais comumente chamada de Vicentina nos Estados Unidos e tamb&eacute;m no Brasil.">39</a></sup>&nbsp;Duas semanas depois, em 14 de agosto, apareceu outro artigo sobre os perigosos jesuítas.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_40_2576" id="identifier_40_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 14 de agosto de 1872.">40</a></sup>&nbsp;Em janeiro de 1873, os editores apontaram que o catolicismo era a mais tenaz das seitas que tentaram escravizar a consciência do homem.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_41_2576" id="identifier_41_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 18 de janeiro de 1873.">41</a></sup>&nbsp;Nos mesmos meses,&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;declarou que o clero mais velho do Brasil deveria ser classificado como Velhos Católicos e não entre os coroinhas servindo a um jesuitismo que estava preparando dias difíceis para o Brasil. O jornal continuou: “Nós nos beneficiaríamos de uma religião mais avançada, possuindo nosso próprio primaz, que decidiria, em última instância, as questões religiosas em vez de [obedecer] a um déspota religioso em Roma [que é] manipulado pelos jesuítas e [que é] abertamente divorciado dos interesses do povo.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_42_2576" id="identifier_42_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 24 de janeiro de 1873.">42</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que a Questão Religiosa se movia para o norte, o Bispo de Olinda-Recife e depois o Bispo de Belém do Pará ordenaram que as irmandades leigas expulsassem seus membros maçônicos. Com isso,&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;declarou que a intolerância católica estava ameaçando a ordem pública e que os bispos que o imperador havia nomeado recentemente eram os autores da ameaça.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_43_2576" id="identifier_43_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 24-25 de fevereiro de 1873">43</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento da Questão fez com que o jornal lhe desse mais espaço. Começando em abril e continuando durante toda a controvérsia,&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;reimprimiu os artigos de Joaquim Saldanha Marinho sobre Igreja e Estado.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_44_2576" id="identifier_44_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 21-22 de abril de 1873, et. seq&nbsp;. Estes foram escritos sob o nome de Ganganelli, que era o sobrenome de Clemente XIV. Veja Joaquim Saldanha Marinho, A Egreja e o Estado&nbsp;(2&ordf; ed., 4 vols., Rio de Janeiro, 1874-1876).">44</a></sup>&nbsp;Mais tarde, em abril, os editores defenderam os membros das irmandades leigas do Recife que haviam sido excomungados quando se recusaram a abjurar a Maçonaria.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_45_2576" id="identifier_45_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Rep&uacute;blica, April 28-29, 1873.">45</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A controvérsia Maçonaria-Igreja continuaria a ocupar os editores nos meses seguintes. No entanto, eles dirigiram ataques mais básicos à Igreja. Em junho, o senador Nabuco de Araujo, autor do decreto de 1855 que fechava os noviciados religiosos, foi denunciado por declarar que aceitava a doutrina da Imaculada Conceição.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_46_2576" id="identifier_46_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., June 11, 1873. Article signed by &ldquo;O jovem da montanha.&rdquo;">46</a></sup>&nbsp;Em julho, o jornal publicou cinco artigos que atacavam o catolicismo como uma falsa igreja cristã. Estes foram escritos por Miguel Vieira Ferreira, um pastor protestante e um dos fundadores do Partido Republicano em 1870.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_47_2576" id="identifier_47_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., July 20, 23, 25, 26, 27, 1873. See Miguel Vieira Ferreira,&nbsp;Manifesto republicano de 1870 seguido de alguns apontamentos&nbsp;(Capital Federal [Rio de Janeiro], 1890).">47</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Questão Religiosa naturalmente ocupou a atenção dos editores republicanos, mas, à medida que se desenvolveu, eles começaram a perceber que o conflito não era simplesmente uma luta entre o clero e os maçons que pertenciam às irmandades leigas, mas sim entre a Igreja e a Monarquia. Os artigos&nbsp;<em>de A República</em>&nbsp;logo se tornaram mais contidos. Quando Saldanha Marinho sustentou que os bispos deveriam ser exilados, os editores se opuseram, insistindo que a expulsão poderia ser um precedente perigoso que poderia mais tarde ser aplicado a outros oponentes da monarquia. Olhando para o futuro, os editores pensaram que a conclusão lógica da controvérsia seria a assunção pelo Imperador das funções de um “pontifex-imperator”, tão supremo em questões religiosas quanto em assuntos seculares.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_48_2576" id="identifier_48_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Uma Rep&uacute;blica&nbsp;, 6, 11 e 12 de agosto de 1873.">48</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o julgamento de Dom Vital, o jornal apoiou o estado, mas ao mesmo tempo publicou artigos do ultramontanista católico Pedro Antônio Ferreira Vianna.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_49_2576" id="identifier_49_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 23, 24, 25 de janeiro; 20, 21, 22 de fevereiro de 1874.">49</a></sup>&nbsp;Em nenhum momento, porém, o Partido Republicano ou seu jornal se aliaram à Igreja. O editor de&nbsp;<em>O Jequitinhonha</em>, Joaquim Felício dos Santos, de Diamantina, Minas Gerais, era um dos poucos republicanos católicos. Quando recebeu a notícia de que um clube republicano havia sido fundado no Rio de Janeiro, ele se filiou, e seu jornal se tornou um órgão republicano. Sobre a Questão Religiosa, ele apoiou os bispos e foi repreendido por&nbsp;<em>A República</em>.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_50_2576" id="identifier_50_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 16 de novembro de 1873.">50</a></sup>&nbsp;Quando Dom Vital foi condenado, Aristides da Silveira Lobo escreveu a Quintino Bocaiuva para protestar contra a posição&nbsp;<em>de A República</em>&nbsp;e sugerir que “&#8230; a aliança dos republicanos é clara — é com a Igreja”. Em nota publicada com a carta de Lobo, Bocaiuva escreveu: “Não concordo com a sugestão do meu amigo por razões que não vale a pena enumerar. No mínimo, seria absurdo”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_51_2576" id="identifier_51_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Aristides da Silveira Lobo to Quintino Bocayuva, Rio de Janeiro, February 23, 1874, Quintino Bocayuva Papers. Lobo&rsquo;s letter is well known. See Joaquim Nabuco,&nbsp;Um estadista do imp&eacute;rio, I, 262, n.1. Bocayuva&rsquo;s notation at the end of Aristides Lobo&rsquo;s letter seems to be unknown.">51</a></sup>&nbsp;Talvez como reflexo da ideia de Lobo,&nbsp;<em>A República</em> assegurava aos seus leitores que uma aliança com a Igreja era impossível, já que os republicanos não confiavam na incompatibilidade da Igreja com o Imperador.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_52_2576" id="identifier_52_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Rep&uacute;blica, February 26, 1874.">52</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A República</em>&nbsp;deixou de ser publicada logo após a condenação de Dom Vital. Seu viés anticlerical e, de fato, anticatólico foi continuado, no entanto, por outros jornais republicanos. Depois do Rio, São Paulo foi o centro da atividade republicana. O paulista José Carlos Rodrigues, um fugitivo da justiça brasileira nos Estados Unidos e na Inglaterra durante a maior parte dos anos de propaganda, era republicano e protestante. Em Nova York, ele editou&nbsp;<em>O Novo Mundo</em>&nbsp;, que levava propaganda ao Brasil. Em São Paulo, os artigos republicanos e anticatólicos do jornal foram reimpressos pelo&nbsp;<em>Correio Paulistano</em>&nbsp;e&nbsp;<em>A República.</em><sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_53_2576" id="identifier_53_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Lu&iacute;s Gama to Jos&eacute; Carlos Rodrigues, S&atilde;o Paulo, November 26, 1870, Bocayuva Papers;&nbsp;A Rep&uacute;blica, December 24, 1870.">53</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Partido Republicano em São Paulo foi formalmente organizado em 17 de janeiro de 1872. Em sua declaração inicial, o Partido não fez menção à sua posição sobre a Igreja. Nem o primeiro Congresso do Partido se referiu ao problema.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_54_2576" id="identifier_54_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Am&eacute;rico  Brasiliense de Almeida e Melo,&nbsp;Os programmas dos partidos e o 2&deg; imper&iacute;o primera parte exposi&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios&nbsp;(S&atilde;o Paulo, 1878), 104-109, 121-125.">54</a></sup>&nbsp;Mais tarde, em uma constituição projetada para um Brasil republicano, o partido clamou pela liberdade religiosa baseada na separação absoluta entre os poderes temporal e espiritual. O Estado, no entanto, teria autoridade para reprimir quaisquer infrações ou abusos de seus direitos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_55_2576" id="identifier_55_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibidem&nbsp;, 148.">55</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em abril de 1874, os republicanos paulistas voltaram sua atenção para a questão religiosa. Uma tentativa de formar um partido católico provocou nos republicanos a convicção de que os ultramontanistas os abordariam para formar uma frente comum contra o governo, propondo a aceitação do Syllabus como condição da aliança. A isso eles se opuseram firmemente, e passaram a explicitar seu programa religioso:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Plena liberdade de cultos e perfeita igualdade de todos perante a sociedade temporal e política.</li>



<li>Abolição do caráter oficial da atual Igreja estatal e sua separação e emancipação do poder civil por meio da supressão dos privilégios e do emprego temporal [serviço civil] agora autorizados aos seus representantes.</li>



<li>A instrução secular se separou da instrução religiosa, cabendo a primeira às escolas e a segunda aos pais em casa e aos ministros de cada religião em suas respectivas igrejas.</li>



<li>Instituição do casamento civil sem prejuízo do cumprimento voluntário das cerimônias religiosas segundo o rito particular dos nubentes.</li>



<li>Instituição do registro civil de nascimentos e óbitos.</li>



<li>Secularização dos cemitérios e sua administração pelos municípios.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_56_2576" id="identifier_56_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibidem&nbsp;, 156-160.">56</a></sup></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Até 1874, o partido em São Paulo fez uso do jornal&nbsp;<em>O Correio Paulistano</em>&nbsp;para divulgar suas opiniões. Em 1875, membros do partido e alguns associados fundaram&nbsp;<em>A Província de São Paulo</em>&nbsp;que, embora fosse &#8220;oficialmente neutro&#8221; na política, era na realidade um órgão republicano. Tomando o lugar de&nbsp;<em>A República</em>, gradualmente se tornou um dos jornais mais prestigiados do Brasil, e ao longo dos últimos anos da monarquia suas colunas estavam consistentemente disponíveis para ataques ao clero e ao catolicismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em março de 1875,&nbsp;<em>A Província</em>&nbsp;publicou um artigo atacando a doutrina da Imaculada Conceição.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_57_2576" id="identifier_57_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo&nbsp;, 20 de mar&ccedil;o de 1875. O autor frustrou seu prop&oacute;sito ao confundir a doutrina com a do Nascimento Virginal.">57</a></sup>&nbsp;Pouco depois, o jornal começou a republicar os artigos anticlericais do ensaísta português Latino Coelho sobre a Igreja e o Estado.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_58_2576" id="identifier_58_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 9 de maio de 1875, et. seq.">58</a></sup>&nbsp;Em junho, protestou contra o uso disciplinar da&nbsp;<em>ex informata conscientia</em>&nbsp;pelos bispos,<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_59_2576" id="identifier_59_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 23 de junho de 1875. Sob a Lei Can&ocirc;nica, o bispo tinha o direito de suspender um cl&eacute;rigo de seus deveres clericais quando tivesse raz&atilde;o suficiente. O bispo, no entanto, n&atilde;o era obrigado a tornar suas raz&otilde;es p&uacute;blicas se achasse que isso resultaria em um grave esc&acirc;ndalo. Os bispos reformadores cada vez mais usavam esse dispositivo para disciplinar seus padres.">59</a></sup>&nbsp;e em setembro e outubro atacou o Syllabus dos Erros em três edições.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_60_2576" id="identifier_60_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 22 de setembro; 3 e 16 de outubro de 1875.">60</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano seguinte,&nbsp;<em>A Província</em>&nbsp;denunciou as missões paroquiais como agências de obscurantismo.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_61_2576" id="identifier_61_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 21 de junho de 1876.">61</a></sup>&nbsp;Em junho, o rumor de que o Vaticano estava enviando uma missão diplomática para concluir uma concordata provocou um aviso de que qualquer concordata seria “uma grande calamidade que levaria o miserável povo brasileiro a uma terrível sujeição à intolerância, à perseguição e ao predomínio legal e à consolidação da cúria ultramontana. Este é o grande desígnio político dos Bourbons e dos papas”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_62_2576" id="identifier_62_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 28 de junho e 1&ordm; de julho de 1876. Dom Pedro II estava em uma viagem prolongada aos Estados Unidos e &agrave; Europa. Sua filha, a Princesa Isabel, estava atuando como regente. Ela era casada com Gaston, Conde d&rsquo;Eu, um membro da Casa de Bourbon-Orleans.">62</a></sup>&nbsp;No mesmo ano, o republicano católico Felício dos Santos foi castigado por se aliar ao projetado partido católico.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_63_2576" id="identifier_63_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 8 de outubro de 1876.">63</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1880, Francisco Rangel Pestana, o editor de&nbsp;<em>A Província</em>&nbsp;, em resposta a um ataque difamatório do jornal católico&nbsp;<em>O Monitor Católico</em>, escreveu: “Não sou um homem de caráter duvidoso, nem [sou] repulsivo por natureza, pois não fui educado nem nas escolas jesuítas nem nas sacristias.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_64_2576" id="identifier_64_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 3 de janeiro de 1880.">64</a></sup>&nbsp;No dia seguinte, seu jornal publicou uma carta de João Kopp, outro proeminente republicano de São Paulo que concordava com Pestana e expressava sua preocupação com a má qualidade da educação dada pelas irmãs professoras na cidade de Itú e sobre um suposto caso de homossexualidade no seminário de São Paulo. Kopp concluiu que preferiria ver sua filha “misturar-se com moleques de rua&nbsp;do que estar aos pés de um padre no confessionário ou à sombra daqueles sepulcros decadentes que são chamados de irmãs.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_65_2576" id="identifier_65_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 4 de janeiro de 1880.">65</a></sup>&nbsp;Sua segunda acusação provocou um protesto imediato do Vigário Geral da diocese, que exigiu provas. Quando Kopp não respondeu, o clérigo continuou seu protesto e finalmente Kopp respondeu. No entanto, ele se recusou a verificar sua acusação; em vez disso, ele escreveu outra diatribe contra o seminário e o clero ultramontano.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_66_2576" id="identifier_66_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 6, 13, 14 e 17 de janeiro de 1880.">66</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que o jornal se tornou mais solidamente estabelecido, seus artigos sobre a igreja católica se tornaram menos frequentes.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_67_2576" id="identifier_67_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Provincia&nbsp;n&atilde;o era apenas anticat&oacute;lica. Quando em 1872 os luteranos alem&atilde;es estavam preparando uma edi&ccedil;&atilde;o da tradu&ccedil;&atilde;o da B&iacute;blia de Lutero, Am&eacute;rico de Campos, um dos editores, lamentou o desperd&iacute;cio de esfor&ccedil;o em algo que estava fadado a desaparecer na era moderna.&nbsp;Ibid., 4 de agosto de 1882.">67</a></sup>&nbsp;No entanto, de tempos em tempos, artigos contrários à Igreja apareciam. Assim, em 1882, o&nbsp;<em>Historical Masquerade</em>&nbsp;de Pierre Veron , um dicionário anticlerical, foi reimpresso.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_68_2576" id="identifier_68_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 22 de agosto de 1882.">68</a></sup>&nbsp;Em 1883, Ernest Renan foi elogiado, e as missões paroquiais foram novamente condenadas.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_69_2576" id="identifier_69_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 24 de junho, 14 de julho de 1883.">69</a></sup>&nbsp;A diminuição dos ataques não significou que os editores mudaram de opinião. Presumivelmente, a importância crescente do periódico trouxe maior responsabilidade. Além disso, a entrada de editores positivistas trouxe uma atitude mais tolerante em relação ao catolicismo romano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outros lugares do Brasil, os republicanos, como evidenciado por sua imprensa, haviam assumido posições semelhantes sobre o catolicismo romano.&nbsp;<em>O Colombo</em>, o principal jornal republicano em Minas Gerais, editado por Lucio de Mendonça, era especialmente irrestrito. Oposto geralmente às escolas católicas e especialmente à administração da Santa Casa de Misericórdia do Rio pelas Irmãs da Caridade,<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_70_2576" id="identifier_70_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Colombo&nbsp;(Campanha), May 26 and October 20, 1882.">70</a></sup>&nbsp;ele pensava que a solução religiosa para o Brasil seria expulsar todos os padres e freiras e permitir que pregassem aos peixes no meio do oceano.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_71_2576" id="identifier_71_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 22 de julho de 1873.">71</a></sup>&nbsp;Ele alertou seus leitores que o confessionário frequentemente levava à perdição. Quando um confessor jesuíta aconselhou uma mulher penitente a receber os sacramentos apesar das violentas objeções do marido, Mendonça declarou que o padre era claramente um mal social, pois sua ação destruiria a autoridade da família e criaria discórdia no lar.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_72_2576" id="identifier_72_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 12 de agosto, 2 de setembro de 1883.">72</a></sup>&nbsp;Ele concordava com&nbsp;<em>A Província</em>&nbsp;que as missões paroquiais eram imorais e que traziam ideias falsas e perturbavam o lar. Ele também os considerava um mal econômico, já que os fazendeiros negligenciavam seu trabalho para comparecer às reuniões. Os missionários, ele disse, eram como uma praga de gafanhotos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_73_2576" id="identifier_73_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Reimpresso em L&uacute;cio de Mendon&ccedil;a,&nbsp;A caminho: propaganda republicana&nbsp;(Rio de Janeiro, 1905), 262-263.">73</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A República</em>&nbsp;de Belém atacou Lourdes em um artigo de zombaria e publicou uma série de objeções à posição do bispo contra a consanguinidade no casamento.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_74_2576" id="identifier_74_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Rep&uacute;blica&nbsp;(Bel&eacute;m), 4, 19, 21, 22 de dezembro, et. seg., 1886.">74</a></sup>&nbsp;Outro jornal de Belém,&nbsp;<em>O Commércio do Pará</em>&nbsp;, que se tornou republicano em 1888, ecoou a crença do húngaro Max Nordau de que a religião era uma das mentiras convencionais da sociedade.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_75_2576" id="identifier_75_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Com&eacute;rcio do Par&aacute;, 6 de abril de 1888.">75</a></sup>&nbsp;Jornais republicanos em outras áreas assumiram posições semelhantes sobre as posições doutrinárias e disciplinares da Igreja Católica.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_76_2576" id="identifier_76_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ver, por exemplo,&nbsp;O Seis de Mar&ccedil;o&nbsp;(Recife), 9 de maio de 1872;&nbsp;A Luz&nbsp;(Recife), 19 de abril, 7 de maio, 23 de maio de 1873;&nbsp;O Nacional&nbsp;(Recife), 9 de junho de 1879;&nbsp;O Democrata&nbsp;(Recife), 20 de mar&ccedil;o de 1880;&nbsp;O Republicano&nbsp;(Rio de Janeiro), 21 e 29 de dezembro de 1875;&nbsp;A Revista Federal&nbsp;(Rio de Janeiro), I, n&ordm; 10 (28 de fevereiro de 1887), 2-3; I, n&ordm; 11 (31 de mar&ccedil;o de 1887), 1-2; e I, No. 12 (30 de abril de 1887), 1-2;&nbsp;A Gazeta Nacional (Rio de Janeiro), 17 de fevereiro de 1888;&nbsp;O Amigo do Povo&nbsp;(Niter&oacute;i), 1&ordm; de julho de 1887; e O Diario Popular&nbsp;(S&atilde;o Paulo), 1 de setembro de 1885; 22 de fevereiro de 1889. Note-se que n&atilde;o s&oacute; a imprensa republicana foi ef&ecirc;mera como tamb&eacute;m que, salvo alguns casos, n&atilde;o existem tiragens completas. Completamente ausentes, exceto por alguns n&uacute;meros esparsos no Rio de Janeiro, &eacute; a imprensa republicana de Salvador onde as se&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas da biblioteca e do Instituto Hist&oacute;rico foram destru&iacute;das, a primeira por bombardeio, a segunda por inc&ecirc;ndio.">76</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma explosão de atividade anticatólica republicana começou em 1887 com a perspectiva de que a princesa Isabel pudesse herdar o trono em um futuro imediato. Ela era bem conhecida por sua piedade e por sua devoção ao marido, Gaston, Comte d&#8217;Eu, que era, como sua esposa, um católico praticante. Quando Dom Pedro, então gravemente doente com diabetes, partiu para a Europa em 1887 em busca de tratamento médico, Saldanha escreveu sobre as perspectivas para o Brasil: “Roma governará por meio de seu devoto filho nesta terra infeliz, e depois&#8230; o santo ofício e a fogueira, dos quais os ultramontanistas ainda precisam para separar a inteligência, a luz e a dignidade — os inimigos irreconciliáveis ​​do obscurantismo clerical — da sociedade&#8221;.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_77_2576" id="identifier_77_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Revista Federal, II, n&ordm; 4 (20 de setembro de 1887), 4.">77</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outubro de 1888, o conselho municipal de São Borja, na época dominado por um republicano com apoio maçônico, convocou um plebiscito para decidir a sucessão ao trono de uma mulher “obcecada por uma educação jesuítica e casada com um príncipe estrangeiro”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_78_2576" id="identifier_78_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Francisco Gon&ccedil;alves de Miranda, &ldquo;A mo&ccedil;&atilde;o plebiscit&aacute;ria de S&atilde;o Borja contra o 3&deg; reinado&rdquo;, Revista do Arquivo Municipal, Ano III, XXIV (abril de 1941), 182-183.">78</a></sup>&nbsp;Republicanos por todo o Brasil aceitaram a demanda,<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_79_2576" id="identifier_79_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ver&nbsp;Rio News&nbsp;, 5 de mar&ccedil;o de 1888;&nbsp;A Gaceta Nacional&nbsp;, 24 de Mar&ccedil;o de 1888;&nbsp;A Federa&ccedil;&atilde;o&nbsp;(Porto Alegre), 12, 14 e 17 de janeiro; 23 e 24 de abril de 1888.">79</a></sup>&nbsp;e a oposição à princesa foi generalizada. O jornal republicano,&nbsp;<em>A Federação</em>&nbsp;de Pôrto Alegre, por exemplo, previu “teremos Gastão I; teremos o reinado da violência, da intriga da sacristia e dos empresários”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_80_2576" id="identifier_80_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Federa&ccedil;&atilde;o&nbsp;, 2 de maio de 1888.">80</a></sup><em>&nbsp;A República Federal</em>&nbsp;de Salvador disse que Isabel era perigosamente católica e que seu marido era proclerical.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_81_2576" id="identifier_81_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Rep&uacute;blica Federal&nbsp;(Bahia), 21 de abril e 14 de outubro de 1888.">81</a></sup>&nbsp;O partido de São Paulo criticou a piedade da princesa em maio de 1888, e o paulista, Antônio da Silva Jardim, rapidamente se tornando o principal orador republicano, atacou ela e suas crenças religiosas em seus discursos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_82_2576" id="identifier_82_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Prov&iacute;ncia&nbsp;, 26 de maio de 1888; Ant&ocirc;nio da Silva Jardim,&nbsp;A p&aacute;tria em perigo (Bragan&ccedil;a e Orleans) Confer&ecirc;ncia sobre a atual situa&ccedil;&atilde;o brasileira, realizada na cidade de Santos na noite de 88 de janeiro de 1888&nbsp;(S&atilde;o Paulo, 1888), 21-22. Jardim repetiu as ideias deste discurso, proferido no in&iacute;cio de sua carreira como tribuno republicano, por todo o Brasil durante o ano e meio seguinte.">82</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Silva Jardim era um membro heterodoxo de um republicanismo brasileiro atual que diferia daquele dos fundadores democráticos de 1870. Ele havia se filiado à Igreja Positivista, mas rompeu com ela quando os diretores o repreenderam por sua atividade política. Seguindo o&nbsp;<em>Système du politique positive</em>&nbsp;de Auguste Comte , os positivistas brasileiros endossaram uma república ditatorial. Ao mesmo tempo, muitos abraçaram a Religião da Humanidade de Comte, e outros eram simpáticos a ela. Como os republicanos democráticos, eles consideravam o catolicismo uma religião ultrapassada. Mas, diferentemente deles, eles o respeitavam e mantinham sua oposição em um plano filosófico. Como seguiam estritamente o lema de Comte, &#8220;Viva ao ar livre&#8221;, eles também se opunham à Maçonaria e frequentemente se viam defendendo o catolicismo.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_83_2576" id="identifier_83_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Para a funda&ccedil;&atilde;o do positivismo no Brasil, ver Jo&atilde;o Camillo de Oliveira Torres,&nbsp;O positivismo no Brasil&nbsp;(Petr&oacute;polis, 1943); Ivan M. de Barros Lins,&nbsp;Hist&oacute;ria do positivismo no Brasil&nbsp;(S&atilde;o Paulo, 1954); Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes,&nbsp;Nossa inissiass&atilde;o no positivismo. Nota retificada ao Rezumo Ist&oacute;rico do Movimento Positivista no Brasil, publicado em 1888&nbsp;(Rio de Janeiro, 1889). Para um pensamento positivista sobre o catolicismo, ver Raimundo Teixeira Mendes,&nbsp;O Culto Cat&oacute;lico reflex&otilde;es positivistas sobre o culto cat&oacute;lico, considerado como os herdeiros das religi&otilde;es anteriores pela adora&ccedil;&atilde; do redentor e precursor imediato da Religi&atilde;o da Humanidade pelo est&iacute;mulo da virgem-m&atilde;i&nbsp;(Rio de Janeiro, 1903), especialmente 185-224.">83</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se os republicanos democratas desprezavam os católicos romanos, estes últimos retribuíam o desprezo. O jornal&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;, órgão da diocese do Rio de Janeiro, o mais longevo e o mais autoritário dos jornais católicos durante os anos da propaganda republicana, deu o tom para o resto do Brasil. Em fevereiro de 1871,&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;rejeitou o partido recém-fundado, declarando que ele não poderia concordar com as ideias religiosas e políticas expressas em sua imprensa.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_84_2576" id="identifier_84_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo&nbsp;, 19 de fevereiro de 1871.">84</a></sup>&nbsp;Talvez para enfurecer os republicanos,&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;sustentou que tinha uma mente aberta em relação à ideia de uma República e citou Gabriel García Moreno do Equador para demonstrar que o catolicismo e o republicanismo eram compatíveis.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_85_2576" id="identifier_85_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 3 de dezembro de 1871.">85</a></sup>&nbsp;No norte,&nbsp;<em>A Boa Nova</em>&nbsp;de Belém, o segundo jornal católico mais influente do Brasil, assumiu uma posição mais neutra. Refletindo as ideias do bispo Antônio de Macedo Costa, ele se opôs ao anticatolicismo do jornal republicano de Belém,&nbsp;<em>O Futuro. A Boa Nova</em>&nbsp;destacou que todos os católicos dos Estados Unidos eram republicanos e que, ao se opor ao catolicismo, o partido brasileiro estava dificultando suas tarefas.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_86_2576" id="identifier_86_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Boa Nova, 20 de mar&ccedil;o de 1872.">86</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora de tempos em tempos a imprensa católica insistisse que a Igreja era indiferente às formas políticas, tornou-se evidente que essa indiferença não incluía os republicanos.&nbsp;<em>A Chrónica Religiosa</em>&nbsp;de Salvador reimprimiu um artigo de&nbsp;<em>L&#8217;Universe</em>&nbsp;de Paris que “demonstrava” que, como os brasileiros, os republicanos franceses e todos os outros republicanos estavam de mãos dadas com a Maçonaria e basicamente se opunham à liberdade para a Igreja.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_87_2576" id="identifier_87_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Cr&oacute;nica Religiosa, III, 34 (28 de julho de 1872), 271.">87</a></sup>&nbsp;Em São Paulo,&nbsp;<em>A Ordem</em>&nbsp;expressou preocupação sobre a conexão entre republicanismo e Maçonaria.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_88_2576" id="identifier_88_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Ordem, 6 de setembro de 1872.">88</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que a Questão Religiosa se desenvolvia, os católicos se viram opostos ao ministério no poder, mas não à monarquia em si. Perto do fim de 1872 e durante os primeiros meses de 1873,&nbsp;<em>A Boa Nova</em>&nbsp;considerou a questão como um conflito não entre a Igreja e a monarquia ou a Maçonaria, mas sim entre a Maçonaria Republicana e a monarquia.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_89_2576" id="identifier_89_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Boa Nova, 9, 20, 27 de novembro e 4 de dezembro de 1872; 5 de fevereiro e 8 de mar&ccedil;o de 1873.">89</a></sup>&nbsp;Em maio de 1873,&nbsp;<em>A Boa Nova</em>&nbsp;viu um enredo simples: “O republicanismo é a vanguarda do liberalismo; o liberalismo é a vanguarda da Maçonaria; e esta última é a ponte para o protestantismo. Os monarquistas que se inscrevem na Maçonaria se opõem, talvez sem perceber, ao princípio monárquico.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_90_2576" id="identifier_90_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Boa Nova, 17 de maio de 1873">90</a></sup>&nbsp;No mesmo mês,&nbsp;<em>O Apóstolo</em> declarou que o republicanismo visava à destruição tanto da monarquia quanto da Igreja. A Maçonaria brasileira era aliada da Maçonaria tanto no Rio da Prata quanto nos Estados Unidos; a propaganda de ambos os grupos contra a ideia monárquica era bem conhecida, escreveram os editores.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_91_2576" id="identifier_91_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo&nbsp;, 11 de maio de 1873. Parece ser um simples exagero. Mas sem nome&aacute;-los,&nbsp;O Ap&oacute;stolo&nbsp;estava atacando Quintino Bocaiuva, cujo entusiasmo pelo republicanismo argentino era bem conhecido, e a propaganda de Jos&eacute; Carlos Rodrigues de Nova York. Veja&nbsp;Ibid&nbsp;., 15 de janeiro de 1871.">91</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Dom Vital foi preso em 1874,&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;clamou pela “re-formação de um honesto partido republicano no Brasil, não porque compartilhamos&nbsp;<em>de</em>&nbsp;suas ideias, ISSO NUNCA&#8230; [sic] mas porque infelizmente a época caminha nessa direção”. “Na presença deste severo cesarismo pagão que atualmente quase sufoca a consciência católica e muito em breve sufocará [toda] consciência individual”, disseram os editores, “um Partido Republicano servirá como um&nbsp;<em>freio</em>&nbsp;poderoso a este monstro político, que&#8230; deseja rápida e simultaneamente roubar-nos a Religião e a Pátria”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_92_2576" id="identifier_92_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 4 de mar&ccedil;o de 1874.">92</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se, num momento de provação, os católicos estavam dispostos a fazer causa comum com um republicanismo que fosse compatível com suas ideias, eles não estavam dispostos a abraçar os republicanos como eles estavam. Assim, quando Quintino Bocaiuva, agora editor do jornal apartidário,&nbsp;<em>O Globo</em>&nbsp;, continuou seus ataques à Igreja,&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;retribuiu na mesma moeda.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_93_2576" id="identifier_93_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 1, 10, 29 de janeiro; 21 de mar&ccedil;o de 1875; 11 de julho de 1877.">93</a></sup>&nbsp;O jornal católico do Rio também voltou sua atenção para o recém-fundado&nbsp;<em>A Província de São Paulo:</em>&nbsp;“Como mostramos mais de uma vez, esse órgão democrático é completamente oposto aos princípios do catolicismo.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_94_2576" id="identifier_94_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 30 de junho de 1875. Veja tamb&eacute;m a edi&ccedil;&atilde;o de 21 de abril de 1876.">94</a></sup>&nbsp;Em São Paulo,&nbsp;<em>A Reacção</em>, um jornal católico e conservador de curta duração, observou que o Partido Republicano de São Paulo quase nunca atacava a monarquia sem também atacar o papado.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_95_2576" id="identifier_95_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Reac&ccedil;&atilde;o, 21 de junho de 1879.">95</a></sup><em>&nbsp;A Reacção</em>&nbsp;descreveu os estudantes republicanos vocais na Faculdade de Direito de São Paulo “como ímpios, dissidentes, galicanos e livres-pensadores, não por convicção, mas [antes] seguindo os &#8216;mestres&#8217; e acompanhando a moda do país.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_96_2576" id="identifier_96_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 25 de abril de 1879. Sobre a opini&atilde;o dos estudantes sobre o catolicismo, ver&nbsp;A Rep&uacute;blica&nbsp;(S&atilde;o Paulo), IV, 2 (21 de abril de 1879).">96</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro jornal católico de São Paulo foi mais moderado. Ao comentar o manifesto republicano de 1874,&nbsp;<em>O Monitor Católico</em>&nbsp;acusou os republicanos brasileiros de cometerem um erro grave. Ao atacar a Igreja e o Syllabus, eles forçaram os católicos a se entregarem aos monarquistas.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_97_2576" id="identifier_97_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Monitor Cat&oacute;lico&nbsp;, 7 de julho de 1881.">97</a></sup>&nbsp;Pouco depois, os editores escreveram: “Se a ideia republicana em si não exclui a ideia católica, é certo que os atos dos republicanos paulistas e aqueles [do Partido] de todo o império estão em completo desacordo com o catolicismo, cujas doutrinas eles atacam constantemente e cujas crenças e símbolos eles desprezam publicamente.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_98_2576" id="identifier_98_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 21 de julho de 1881.">98</a></sup>&nbsp;A hostilidade republicana em relação à Igreja levou o jornal católico a publicar com aprovação um apelo contra a candidatura de Manoel Ferraz dos Campos Salles para a câmara provincial de São Paulo.&nbsp;<em>O Monitor Católico</em>&nbsp;se opôs a ele não por causa de seu republicanismo, mas por causa de suas ideias anticatólicas.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_99_2576" id="identifier_99_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 24 de julho de 1881.">99</a></sup>&nbsp;Mais tarde em sua carreira, Campos Salles foi um dos três candidatos eleitos em chapas republicanas para a Câmara Imperial dos Deputados. Lá, ele desempenhou um papel tão ambivalente na abolição parcial da escravidão e em outras questões democráticas propostas pelo Partido Liberal que&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;se referiu a ele como “republicano(?).”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_100_2576" id="identifier_100_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo&nbsp;, 18 de setembro de 1885. Campos Salles eventualmente se tornou presidente do Brasil. Antes disso, Jo&atilde;o Manuel de Carvalho, ent&atilde;o vivendo aposentado, escreveu sobre ele: &ldquo;N&atilde;o h&aacute;, nunca houve, nem haver&aacute; nesta terra da Verdadeira Cruz [Brasil] um ministro [que seja] um inimigo maior da Igreja.. . .&rdquo; Jo&atilde;o Manuel de Carvalho, Reminisc&ecirc;ncias vultos e factos do imp&eacute;rio e da rep&uacute;blica&nbsp;(Campinas, 1895), 137.">100</a></sup>&nbsp;Para&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;e talvez para todos os outros católicos no Brasil, a hostilidade dos republicanos paulistas em relação à Igreja, se não ao catolicismo tradicional, foi confirmada quando Francisco Glicério, o mais poderoso dos republicanos paulistas, fez seu filho Clóvis ser batizado em uma cerimônia maçônica. Este ato substanciou tudo o que&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;havia dito anteriormente sobre o assunto dos republicanos brasileiros.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_101_2576" id="identifier_101_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo, 20 e 25 de julho de 1884.">101</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua oposição à república como forma de governo, a imprensa católica também destacou que o republicanismo europeu era tão hostil à Igreja quanto a variedade brasileira. A devoção dos republicanos brasileiros à França levou os católicos a menosprezar o republicanismo francês.&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;relatou violações francesas de liberdades religiosas e sugeriu que os republicanos brasileiros seriam igualmente culpados se chegassem ao poder.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_102_2576" id="identifier_102_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 4 de dezembro de 1885, 14 de fevereiro de 1886.">102</a></sup><em>&nbsp;A Aurora</em>&nbsp;de Recife concordou: “Os republicanos só amam a liberdade teoricamente ou para si mesmos; na prática, são tiranos.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_103_2576" id="identifier_103_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A Aurora&nbsp;, 8 de agosto de 1886. Veja tamb&eacute;m a edi&ccedil;&atilde;o de 28 de novembro de 1886.">103</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os católicos continuaram seus ataques ao republicanismo brasileiro até o fim da monarquia. Em 1888,&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;achava que os republicanos estavam explorando os brasileiros. “A forma de governo não faz um povo feliz”, declarou, “e muito menos [fará] a transformação do [atual] sistema [em um que seja] pior”.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_104_2576" id="identifier_104_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo, 21 de outubro de 1888.">104</a></sup>&nbsp;Em janeiro de 1889, o jornal do Rio relatou que o republicanismo estava em declínio.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_105_2576" id="identifier_105_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 6 de janeiro de 1889.">105</a></sup>&nbsp;Quando Silva Jardim embarcou em uma viagem de propaganda, ele recebeu a censura do jornal.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_106_2576" id="identifier_106_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 17 de fevereiro de 1889.">106</a></sup>&nbsp;Durante a campanha eleitoral de 1889, os editores alertaram contra o voto de protesto para os republicanos por causa da corrupção dos dois partidos monárquicos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_107_2576" id="identifier_107_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid., 5 de junho de 1889.">107</a></sup>&nbsp;Após a vitória liberal e a derrota esmagadora dos candidatos republicanos, os jornais apontaram que não era a monarquia que iria desaparecer. O Partido Republicano, disseram eles, só fez barulho por causa de ex-escravistas descontentes e por causa de certos políticos ambiciosos que aspiravam a alturas maiores do que aquelas permitidas pelo governo imperial.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_108_2576" id="identifier_108_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ibid&nbsp;., 14 de julho de 1889.">108</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se uma imprensa católica controlada por ou refletindo a posição da hierarquia consistentemente se opôs ao Partido Republicano, se não à própria ideia de uma república, as relações entre o baixo clero e o Partido Republicano não eram mais felizes. Clérigos tinham sido proeminentes em movimentos republicanos anteriores, como a Inconfidência Mineira, a Revolta Pernambucana de 1817, a Confederação do Equador e a República Farroupilha. No partido fundado em 1870, no entanto, o clero estava quase ausente, pois, até onde se pode apurar, apenas quatro padres se tornaram membros do partido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1886, o padre Miranda Cruz de Tijucas Grande, Santa Catarina, filiou-se ao Partido Republicano. Ele fundou o jornal&nbsp;<em>Os Independentes</em>&nbsp;e tornou-se um trabalhador ativo do partido. Mas ele era um dissidente e se recusou a apoiar a chapa nas eleições provinciais de 1888.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_109_2576" id="identifier_109_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Almanaque republicano brasileiro para o ano de 1889 em homenagem ao centen&aacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o francesa, ano&nbsp;I (Rio de Janeiro, 1889), 88;&nbsp;A Revista Federal&nbsp;, I, 11 (31 de mar&ccedil;o de 1887), 6;&nbsp;A Gazeta Nacional&nbsp;, 5 de maio de 1888.">109</a></sup>&nbsp;Em 11 de junho de 1889, o padre João Manuel de Carvalho, deputado conservador do Rio Grande do Norte, causou sensação na Câmara com seu grito: &#8220;Abaixo a monarquia! Viva a República!&#8221;<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_110_2576" id="identifier_110_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Para seu discurso e a rea&ccedil;&atilde;o a ele, veja a introdu&ccedil;&atilde;o de suas&nbsp;Reminisc&ecirc;ncias&nbsp;, vii-xxiv.">110</a></sup>&nbsp;Mas sua deserção da monarquia foi uma </p>



<p class="wp-block-paragraph">questão de política partidária. Ele não era representante do novo clero; ele havia apoiado o governo na Questão Religiosa e havia sido disciplinado pelo bispo Lacerda. Sua confissão de republicanismo foi um <em>succès de scandale</em> e não refletiu a opinião católica ou clerical. Ele não desempenhou mais nenhum papel durante os meses restantes da propaganda republicana e foi ignorado pelo regime republicano após 15 de novembro. Em Minas Gerais, dois padres republicanos apareceram durante 1889. Em janeiro, o padre José de Paiva do Retiro escreveu ao jornal do partido <em>A Revolução</em> da Campanha e anunciou sua adesão à causa. Três meses depois, o cônego Joaquim Camilo de Brito de Barbacena escreveu três artigos para <em>O Movimento</em> , um jornal republicano publicado em Ouro Preto, a capital provincial.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_111_2576" id="identifier_111_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Furtado de Menezes,&nbsp;Clero mineiro&nbsp;(2 vols., Rio de Janeiro, 1933-1936), I, 190.">111</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre a hierarquia havia um republicano — Dom João Antônio dos Santos, o primeiro bispo de Diamantina, que pertencia a uma família que representava o republicanismo tradicional de Minas Gerais. Embora Dom João fosse vocal em questões liberais como abolição e industrialização e tivesse ideias republicanas, ele nunca as expressou. No entanto, ele permitiu que o editor de <em>O Bom Ladrão</em>, o órgão oficial de sua diocese, atacasse os republicanos.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_112_2576" id="identifier_112_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Bom Ladr&atilde;o, 10 de outubro de 1873,&nbsp;et. seg.">112</a></sup> Ele guardou suas ideias políticas para si mesmo, porque temia pela Igreja se os líderes do partido de 1870 chegassem ao poder.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_113_2576" id="identifier_113_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Informa&ccedil;&otilde;es dadas ao autor por Dom Serafim Gomes Jardim, Arcebispo demission&aacute;rio de Diamantina, em entrevistas em junho de 1961, em Diamantina, Minas Gerais. Como padre rec&eacute;m-ordenado, Dom Serafim tornou-se secret&aacute;rio de Dom Jo&atilde;o pouco antes da morte deste. Interessado em hist&oacute;ria, Dom Serafim questionou o idoso prelado sobre sua atitude em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; monarquia e &agrave; rep&uacute;blica.">113</a></sup> Uma anedota é geralmente repetida de que, quando Dom Pedro Maria de Lacerda passou pelo palácio na época da Revolução, ele se perguntou por que ele estava sendo guardado por tropas. Informado de que o Imperador havia sido destronado e estava confinado, Lacerda teria comentado: &#8220;Exatamente como fez com os bispos&#8221;.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_114_2576" id="identifier_114_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Jo&atilde;o Pandi&aacute; Cal&oacute;geras,&nbsp;Hist&oacute;ria do Brasil&nbsp;(Morro da Capela, 1939), 243, atribui esse conto a Capistrano de Abreu. Ver tamb&eacute;m Manuel Barbosa,&nbsp;A igreja no Brasil, notas para a sua hist&oacute;ria&nbsp;(Rio de Janeiro, 1945), 284.">114</a></sup> No entanto, o secretário do prelado relata que, quando recebeu a notícia da revolução, foi tomado pela tristeza.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_115_2576" id="identifier_115_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Bull&aacute;rio, II, 196.">115</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os poucos leigos católicos proeminentes do século XIX, os mais importantes eram monarquistas dedicados. Zacharias de Goís, que defendeu Dom Vital em seu julgamento, Cândido Mendes de Almeida, que foi o autor da posição ultramontana definitiva sobre o Padroado Real, e Pedro Antônio Ferreira Vianna, um importante abolicionista, nunca vacilaram em seu apoio às instituições monárquicas. Os católicos professos que também eram republicanos dedicados eram figuras menores. Os dois Felício dos Santos de Diamantina, irmão e sobrinho do bispo, eram líderes provinciais cujo apoio aos bispos na Questão Religiosa foi rejeitado pelos líderes republicanos. Eles não desempenharam nenhum papel significativo nos assuntos republicanos após 1874.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito poucas evidências de outros republicanos católicos leigos aparecem. Alguns, não identificados, protestaram em 1874 para <em>O Apóstolo</em> que Saldanha Marinilo em seus artigos sobre Igreja e Estado havia dividido o partido e, portanto, ajudado a causa monárquica.<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_116_2576" id="identifier_116_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="O Ap&oacute;stolo, 24 de mar&ccedil;o de 1874.">116</a></sup> Apenas um jovem e vociferante católico era republicano. Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, filho do último primeiro-ministro imperial, era republicano desde os tempos de estudante na Faculdade de Direito de São Paulo. Mais tarde, foi eleito deputado liberal, mas concorreu como republicano. Quando a Revolução ocorreu, ele foi para o exílio com seu pai. Retornando ao Brasil como monarquista, ele defendeu a monarquia em seus escritos e eventualmente se tornou um conde papal. Ele era mais típico dos leigos católicos brasileiros relaxados, no entanto, do que da raça mais nova, de orientação romana, representada por Goís, Almeida ou Vianna. Eles haviam passado pela reforma ultramontana, enquanto ele representava a tradição gentil. Finalmente, quando, sob o choque da Questão Religiosa, leigos católicos tentaram fundar um Partido Católico, não havia questão de abandonar a monarquia, mas de reformá-la. Como os supostos organizadores do partido viam, “o partido católico também deveria inscrever a monarquia em sua bandeira e defendê-la com todo seu poder como a garantia mais segura da estabilidade política da nação. Ele deveria defendê-la não apenas contra os <em>verdadeiros</em> republicanos, mas também contra os falsos monarquistas que desejam colocar o trono acima do altar.”<sup><a href="https://monarquista.com.br/a-igreja-e-a-queda-da-monarquia-brasileira/#footnote_117_2576" id="identifier_117_2576" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Um Catt&ograve;lico Brazileiro, Ensaio de programa para o partido cat&oacute;lico no Brasil&nbsp;(P&ocirc;rto e Braga, 1877), 30. Ver cap&iacute;tulo 4 intitulado &ldquo;A Monarchia&rdquo;, 28-34.">117</a></sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Certamente, nos dezenove anos de propaganda republicana, os católicos deixaram sua escolha evidente. Se não queriam a monarquia de Pedro II, temiam ainda mais uma república liderada por seus inimigos mais implacáveis. A Igreja bem que poderia esperar tudo do reinado da Princesa Isabel e seu marido. De Saldanha Marinho, Quintino Bocaiuva, Lúcio de Mendonça, os caciques paulistas, os positivistas, dominantes nos círculos republicanos em Recife, Belém e Porto Alegre, eles só podiam esperar o pior. Talvez tenha sido um acidente de sorte que a República não trouxesse o que os republicanos haviam prometido. Supondo que a Igreja ainda influenciasse a opinião em um país que havia abandonado amplamente suas práticas religiosas, os historiadores deveriam considerá-la um apoio e não um inimigo da monarquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="authorNotesSectionTitle">Notas sobre o autor</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Até sua morte em dezembro de 1967, o autor foi professor de História na Universidade do Kansas. A pesquisa para este artigo foi possível graças a bolsas do Joint Committee of the American Council of Learned Societies e do Social Science Research Council e da Georgetown University.Direitos autorais 1968 da Duke University Press</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_1_2576" class="footnote">O melhor tratamento da questão é Irmã Mary Orescentia Thornton, BVM,&nbsp;<em>The Church and Freemasonry in Brazil, 1872-1875, a Study in Regalism</em>&nbsp;(Washington, 1948).</li><li id="footnote_2_2576" class="footnote">Percy Alvin Martin, &#8220;Causas do Colapso do Império Brasileiro&#8221;,&nbsp;<em>HAHR</em>&nbsp;, IV (fevereiro de 1921), 4-48. Martin seguiu Manoel de Oliveira Lima, “Sept Ans de republique au Brésil (1889-1896),”&nbsp;<em>Nouvelle Revue</em>&nbsp;, CI (agosto de 1896), 506-526, 728-743, e&nbsp;<br><em>Formation historique de la nationalité brésilienne, sêrie de conférences faites na Sorbonne</em>&nbsp;(Paris, 1911). Clarence H. Haring aceitou essa interpretação em seu&nbsp;<em>Empire in Brazil, A New World Experiment in Monarchy</em>&nbsp;(Cambridge, 1958), 117-125, assim como E. Bradford Bums,&nbsp;<em>A Documentary History of Brazil</em>&nbsp;(Nova York, 1965), 264. Burns escreve: “Essa controvérsia com a Igreja e a consequente prisão do bispo [Dom Vital] criaram muitos inimigos religiosos para a coroa. Em um clima de ressentimento taciturno, a outrora leal Igreja retirou seu ardente apoio à monarquia.”</li><li id="footnote_3_2576" class="footnote">For the contents of the pastoral, see Júlio Maria,&nbsp;<em>O catolicismo no Brasil (memória histórica&#8217;)</em>&nbsp;(2nd. ed., Rio de Janeiro, 1950), 214 ff.</li><li id="footnote_4_2576" class="footnote">Heitor Lyra,&nbsp;<em>A queda do Império</em>&nbsp;(2 vols., São Paulo, 1964), I, 231-238; and George C. A. Boehrer, “The Brazilian Republican Revolution: Old and New Views,” in Luis Pilla,&nbsp;<em>Urna experiencia pioneira de intercâmbio cultural</em>&nbsp;(Pôrta Alegre, 1963), 113-116.</li><li id="footnote_5_2576" class="footnote">Burns,&nbsp;<em>História Documental</em>&nbsp;, 263.</li><li id="footnote_6_2576" class="footnote">The most effective analysis of the Pombaline reforms, although from an ultramontane point of view, is Cândido Mendes de Almeida,&nbsp;<em>Diretto civil ecclesiástico brazileiro antigo e moderno em suas relações com o diretto canònico</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1866), I, ix-ccccxxiv. A shorter analysis from the same stance may be found in Marcelino Menéndez y Pelayo,&nbsp;<em>Obras completas</em>, Vol. XXXIX,&nbsp;<em>Historia de los heterodoxos españoles</em>&nbsp;(Santander, 1948), VII, 132-155.</li><li id="footnote_7_2576" class="footnote">Tarcísio Beal, “A reforma da universidade de Coimbra e o clero brasileiro, 1772-1842” (Master’s thesis, The Catholic University of America, 1965).</li><li id="footnote_8_2576" class="footnote">For an early dispute between the first nuncio and the monarchy, see Maurílio Cesar de Lima, “Metropolitanismo e regalismo no Brazil, durante a nunciatura de Lourenço Caleppi,” <em>Revista de História</em>, No. 10 (1952), 387-416.</li><li id="footnote_9_2576" class="footnote">The method of appointments is clearly revealed in a report made to the nuncio by the Administrator of the Archdiocese of Salvador. Manoel dos Santos Pereira, Relatório da Archidiocese da Bahia apresentado ao novo Internúncio Apostólico, D. Roque Cocchia, Arcebispo de Otranto, em 1885. Arquivo da Cúria Metropolitano da Bahia, Gabinete Arquiepiscopal, 1885.</li><li id="footnote_10_2576" class="footnote">Ver Manoel da Silveira Cardozo, “A Santa Sé e a questão do bispo eleito do Rio, 1833-1839”,&nbsp;<br><em>The Americas, X</em>&nbsp;(julho de 1953), 3-74.</li><li id="footnote_11_2576" class="footnote">See Joaquim Pinto de Campos’&nbsp;<em>O Senhor D. Pedro II Imperador do Brasil. Biographic</em>&nbsp;(Pôrto, 1871). As he was writing the biography, he attempted to get his subject’s approval. For the emperor’s reaction and the opinion of Pinto de Campos see Dom Pedro II, “Diario de 1862,”&nbsp;<em>Anuário do Museu Imperial</em>, XV (1956 [i.e., 1960]), 115-117, 158, 196-225, 290.</li><li id="footnote_12_2576" class="footnote"><em>A União</em>&nbsp;(Recife), 21 de novembro de 1874;&nbsp;<br><em>A Boa Nova</em>&nbsp;(Belém do Pará), 27 de janeiro de 1875. Pinto de Campos também foi autor de um livro de viagens sobre a Terra Santa. Quando se descobriu que este era amplamente plagiado, a imprensa católica o expôs.&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;(Rio de Janeiro), 19 de julho, 31 de julho, 5 de agosto, 12 de agosto, 13 de setembro e 20 de setembro de 1874. Os artigos&nbsp;<em>de O Apóstolo</em>&nbsp;foram reimpressos em&nbsp;<em>A União</em>&nbsp;, 1º de agosto de 1874,&nbsp;<em>et. seq</em>&nbsp;.</li><li id="footnote_13_2576" class="footnote">Veja&nbsp;<br><em>O Apostolo</em>&nbsp;, 8, 10, 12, 17, 22, 24 e 29 de julho; 5 e 7 de agosto de 1874.</li><li id="footnote_14_2576" class="footnote">Havia dois tipos de párocos no Brasil do século XIX. O primeiro, o “collado”, competia publicamente pelo cargo, era nomeado pelo governo e era inamovível. O segundo, o “encommendado”, era nomeado e podia ser removido pelo bispo. Este último recebia um salário menor. Teoricamente, o “encommendado” era apenas um pastor substituto até a nomeação do pastor permanente. No entanto, no final do Império, os bispos fizeram questão de não realizar o concurso&nbsp;<em>e</em>&nbsp;confiaram nos “encommendados” sobre os quais tinham controle. Por esse dispositivo, os bispos eliminaram gradualmente os padres políticos. João Manuel era um encommendado.</li><li id="footnote_15_2576" class="footnote"><em>A Boa Nova</em>, March 6, 1872.</li><li id="footnote_16_2576" class="footnote"><em>Ibid,</em>., May 31, 1876; Eutychio Pereira da Rocha to F. Ramos Paz, Belém do Pará, December 20, 1876; May 17, 1877; and March 10, 1878; Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (hereafter cited as BNRJ), Coleção Ramos Paz, 1-4, 26, 27, 30.</li><li id="footnote_17_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>, 30 de julho; 1, 4, 6 de agosto; e 1º de setembro de 1876.</li><li id="footnote_18_2576" class="footnote">Afonso Arinos de Melo Franco,&nbsp;<em>Um estadista da república (Afrânio de Melo Franco e sen tempo)</em>&nbsp;(3 vols., Rio de Janeiro, 1955), I, 44-45.</li><li id="footnote_19_2576" class="footnote">Rio de Janeiro, Arquidioeese de São Sebastião, Arquivo da Cúria Metropolitano, Bispado, Bullário de arcebispado, II, 476 (hereafter cited as Bullário).</li><li id="footnote_20_2576" class="footnote">Silvério Gomes Pimenta,&nbsp;<em>Vida de D. Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Marianna e Conde da Conceição</em>&nbsp;(2nd. ed., Niterói, 1892), 86.</li><li id="footnote_21_2576" class="footnote">For a succinct description of Dom Pedro’s religious attitudes, see Joaquim Nabuco,&nbsp;<em>Um estadista do imperio. Nabuco de Araujo. Sua vida, suas opiniões, sua época</em>&nbsp;(2 vols., 2nd ed., São Paulo, 1936), II, 259-260.</li><li id="footnote_22_2576" class="footnote">Bullário, II, 274-276; F. de Macedo Costa,&nbsp;<em>hutas e victórias</em>&nbsp;(Salvador, 1916), 245-248.</li><li id="footnote_23_2576" class="footnote">Dom Pedro II, “Diário da viagem do Imperador a Minas,”&nbsp;<em>Anuário do Museu Imperial</em>, XVIII (1957 [i.e., 1964]), 97; Um Padre da Congregação da Missão [Antônio da Cruz, C.M.],&nbsp;<em>O centenário do Caraça 1820-1920</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1920), 56-57;&nbsp;<em>O Apóstolo</em>, June 12, 1881.</li><li id="footnote_24_2576" class="footnote">Only on May 3, 1889 did the government propose that dioceses be created for all the provinces. See Bardo de Javary,&nbsp;<em>Fallas do Throno desde o anno de 1823 até o anno de 1889 acompanhadas dos respectivos votos de graças da cámara temporária</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1889), 870-871.</li><li id="footnote_25_2576" class="footnote">Dom Pedro II, “Diário de 1862,” 20.</li><li id="footnote_26_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>&nbsp;, 12 de novembro e 12 de dezembro de 1886; Henry Otis Dwight,&nbsp;<em>The Centennial History of the American Bible Society</em>&nbsp;(Nova York, 1916), 396-397</li><li id="footnote_27_2576" class="footnote">Dom Pedro II, “Diário de 1862,” 78.</li><li id="footnote_28_2576" class="footnote">Dom Pedro II,&nbsp;<em>Conselhos à regente</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1958), 35-36.</li><li id="footnote_29_2576" class="footnote">Silvério Gomes Pimenta,&nbsp;<em>Vida de D. Antônio Ferreira Viçoso</em>, 125; José Teixeira Neves, “Aspectos do século XIX na vida de um prelado mineiro atividades e influência de Dom João Antônio dos Santos, Bispo de Diamantina,”&nbsp;<em>Sevista do Livro</em>, No. 20 (December 1960), 49-59.</li><li id="footnote_30_2576" class="footnote">Ver Louis de Gonzague, OMC,&nbsp;<br><em>Monsenhor Vital (Antoine Gonçalves de Oliveira) frade capuchinho menor, bispo de Olinda</em>&nbsp;(Paris, 1912), 1-39 para o início da carreira de Dom Vital.</li><li id="footnote_31_2576" class="footnote">Marinho referred to Amaral as “my companion in everything.” Joaquim Saldanha Marinho to José Carlos Rodrigues, Rio de Janeiro, July 11, 1870 (1876)?), BNRJ, Seção dos Manuscritos, I, 3, 3, 46. For Amaral’s position on the Church, see his&nbsp;<em>Discurso proferido a 11 de agosto de 1876 no salão do Grande Oriente Unido</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1876) and reprinted in&nbsp;<em>Clericalismo conferências realisadas em 1876 a 1877 no Gr∴ Or∴ do Brazil</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1910). Also see&nbsp;<em>A Província de São Paulo</em>, November 22, 24, 29, and 30, 1876.</li><li id="footnote_32_2576" class="footnote">Veja, por exemplo,&nbsp;<em>A República</em>, Janeiro 25, 1871.</li><li id="footnote_33_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 15 de abril de 1871.</li><li id="footnote_34_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 21 e 24 de outubro; 9, 12 e 14 de novembro de 1871; 16 de março de 1872.</li><li id="footnote_35_2576" class="footnote">Almeida Martins havia proferido um discurso perante uma loja maçônica do Rio em 2 de março de 1872. O evento havia sido anunciado, e o padre havia sido avisado pelo bispo. Quando ele persistiu, ele foi primeiro privado das faculdades de pregar e ouvir confissões. Mais tarde, ele foi excomungado. Em 1880, ele se retratou; a proibição de excomunhão foi suspensa e suas faculdades foram restauradas. Bullário, II, 182 pés;&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;, 21 de abril, 16 e 17 de setembro de 1872; 29 de dezembro de 1880.</li><li id="footnote_36_2576" class="footnote">Copy of Joaquim Saldanha Marinho to Quintino Bocayuva, Rio de Janeiro, April 19, 1872, Quintino Bocayuva Papers, Collection of Ranulpho Bocayuva Cunha, Rio de Janeiro. The Saldanha Marinho Papers, which are located in the Arquivo do Estado de Guanabara, consist mainly of letters to him. They have no information on either Freemasonry or the Religious Question.</li><li id="footnote_37_2576" class="footnote"><em>A República</em>, April 15, 1872.</li><li id="footnote_38_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., May 6 and 9, 1872; Luís Gama to José Carlos Rodrigues, São Paulo, November 26, 1870, BNRJ, Seção dos Manuscritos, I-3, 2, 74.</li><li id="footnote_39_2576" class="footnote"><em>A República</em>, 1 de agosto de 1872. Por Lazarista entende-se um membro da Congregação da Missão, mais comumente chamada de Vicentina nos Estados Unidos e também no Brasil.</li><li id="footnote_40_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 14 de agosto de 1872.</li><li id="footnote_41_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 18 de janeiro de 1873.</li><li id="footnote_42_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 24 de janeiro de 1873.</li><li id="footnote_43_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 24-25 de fevereiro de 1873</li><li id="footnote_44_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 21-22 de abril de 1873, <em>et. seq</em>&nbsp;. Estes foram escritos sob o nome de Ganganelli, que era o sobrenome de Clemente XIV. Veja Joaquim Saldanha Marinho, <em>A Egreja e o Estado</em>&nbsp;(2ª ed., 4 vols., Rio de Janeiro, 1874-1876).</li><li id="footnote_45_2576" class="footnote"><em>A República</em>, April 28-29, 1873.</li><li id="footnote_46_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., June 11, 1873. Article signed by “O jovem da montanha.”</li><li id="footnote_47_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., July 20, 23, 25, 26, 27, 1873. See Miguel Vieira Ferreira,&nbsp;<em>Manifesto republicano de 1870 seguido de alguns apontamentos</em>&nbsp;(Capital Federal [Rio de Janeiro], 1890).</li><li id="footnote_48_2576" class="footnote"><em>Uma República</em>&nbsp;, 6, 11 e 12 de agosto de 1873.</li><li id="footnote_49_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 23, 24, 25 de janeiro; 20, 21, 22 de fevereiro de 1874.</li><li id="footnote_50_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 16 de novembro de 1873.</li><li id="footnote_51_2576" class="footnote">Aristides da Silveira Lobo to Quintino Bocayuva, Rio de Janeiro, February 23, 1874, Quintino Bocayuva Papers. Lobo’s letter is well known. See Joaquim Nabuco,&nbsp;<em>Um estadista do império</em>, I, 262, n.1. Bocayuva’s notation at the end of Aristides Lobo’s letter seems to be unknown.</li><li id="footnote_52_2576" class="footnote"><em>A República</em>, February 26, 1874.</li><li id="footnote_53_2576" class="footnote">Luís Gama to José Carlos Rodrigues, São Paulo, November 26, 1870, Bocayuva Papers;&nbsp;<em>A República</em>, December 24, 1870.</li><li id="footnote_54_2576" class="footnote">Américo  Brasiliense de Almeida e Melo,&nbsp;<em>Os programmas dos partidos e o 2° imperío primera parte exposição dos princípios</em>&nbsp;(São Paulo, 1878), 104-109, 121-125.</li><li id="footnote_55_2576" class="footnote"><em>Ibidem</em>&nbsp;, 148.</li><li id="footnote_56_2576" class="footnote"><em>Ibidem</em>&nbsp;, 156-160.</li><li id="footnote_57_2576" class="footnote"><em>A Província de São Paulo</em>&nbsp;, 20 de março de 1875. O autor frustrou seu propósito ao confundir a doutrina com a do Nascimento Virginal.</li><li id="footnote_58_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 9 de maio de 1875, <em>et. seq</em>.</li><li id="footnote_59_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 23 de junho de 1875. Sob a Lei Canônica, o bispo tinha o direito de suspender um clérigo de seus deveres clericais quando tivesse razão suficiente. O bispo, no entanto, não era obrigado a tornar suas razões públicas se achasse que isso resultaria em um grave escândalo. Os bispos reformadores cada vez mais usavam esse dispositivo para disciplinar seus padres.</li><li id="footnote_60_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 22 de setembro; 3 e 16 de outubro de 1875<strong>.</strong></li><li id="footnote_61_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 21 de junho de 1876.</li><li id="footnote_62_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 28 de junho e 1º de julho de 1876. Dom Pedro II estava em uma viagem prolongada aos Estados Unidos e à Europa. Sua filha, a Princesa Isabel, estava atuando como regente. Ela era casada com Gaston, Conde d&#8217;Eu, um membro da Casa de Bourbon-Orleans.</li><li id="footnote_63_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 8 de outubro de 1876.</li><li id="footnote_64_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 3 de janeiro de 1880.</li><li id="footnote_65_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 4 de janeiro de 1880.</li><li id="footnote_66_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 6, 13, 14 e 17 de janeiro de 1880.</li><li id="footnote_67_2576" class="footnote"><em>A Provincia</em>&nbsp;não era apenas anticatólica. Quando em 1872 os luteranos alemães estavam preparando uma edição da tradução da Bíblia de Lutero, Américo de Campos, um dos editores, lamentou o desperdício de esforço em algo que estava fadado a desaparecer na era moderna.&nbsp;<br><em>Ibid</em>., 4 de agosto de 1882.</li><li id="footnote_68_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 22 de agosto de 1882.</li><li id="footnote_69_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 24 de junho, 14 de julho de 1883.</li><li id="footnote_70_2576" class="footnote"><em>O Colombo</em>&nbsp;(Campanha), May 26 and October 20, 1882.</li><li id="footnote_71_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 22 de julho de 1873.</li><li id="footnote_72_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 12 de agosto, 2 de setembro de 1883.</li><li id="footnote_73_2576" class="footnote">Reimpresso em Lúcio de Mendonça,&nbsp;<em>A caminho: propaganda republicana</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1905), 262-263.</li><li id="footnote_74_2576" class="footnote"><em>A República</em>&nbsp;(Belém), 4, 19, 21, 22 de dezembro, <em>et. seg</em>., 1886.</li><li id="footnote_75_2576" class="footnote"><em>O Comércio do Pará</em>, 6 de abril de 1888.</li><li id="footnote_76_2576" class="footnote">Ver, por exemplo,&nbsp;<br><em>O Seis de Março</em>&nbsp;(Recife), 9 de maio de 1872;&nbsp;<em>A Luz</em>&nbsp;(Recife), 19 de abril, 7 de maio, 23 de maio de 1873;&nbsp;<br><em>O Nacional</em>&nbsp;(Recife), 9 de junho de 1879;&nbsp;<em>O Democrata</em>&nbsp;(Recife), 20 de março de 1880;&nbsp;<em>O Republicano</em>&nbsp;(Rio de Janeiro), 21 e 29 de dezembro de 1875;&nbsp;<em>A Revista Federal</em>&nbsp;(Rio de Janeiro), I, nº 10 (28 de fevereiro de 1887), 2-3; I, nº 11 (31 de março de 1887), 1-2; e I, No. 12 (30 de abril de 1887), 1-2;&nbsp;<em>A Gazeta Nacional </em>(Rio de Janeiro), 17 de fevereiro de 1888;&nbsp;<em>O Amigo do Povo</em>&nbsp;(Niterói), 1º de julho de 1887; e <em>O Diario Popular</em>&nbsp;(São Paulo), 1 de setembro de 1885; 22 de fevereiro de 1889. Note-se que não só a imprensa republicana foi efêmera como também que, salvo alguns casos, não existem tiragens completas. Completamente ausentes, exceto por alguns números esparsos no Rio de Janeiro, é a imprensa republicana de Salvador onde as seções periódicas da biblioteca e do Instituto Histórico foram destruídas, a primeira por bombardeio, a segunda por incêndio.</li><li id="footnote_77_2576" class="footnote"><em>A Revista Federal</em>, II, nº 4 (20 de setembro de 1887), 4.</li><li id="footnote_78_2576" class="footnote">Francisco Gonçalves de Miranda, &#8220;A moção plebiscitária de São Borja contra o 3° reinado&#8221;, <em>Revista do Arquivo Municipal</em>, Ano III, XXIV (abril de 1941), 182-183.</li><li id="footnote_79_2576" class="footnote">Ver&nbsp;<em>Rio News</em>&nbsp;, 5 de março de 1888;&nbsp;<em>A Gaceta Nacional</em>&nbsp;, 24 de Março de 1888;&nbsp;<em>A Federação</em>&nbsp;(Porto Alegre), 12, 14 e 17 de janeiro; 23 e 24 de abril de 1888.</li><li id="footnote_80_2576" class="footnote"><em>A Federação</em>&nbsp;, 2 de maio de 1888.</li><li id="footnote_81_2576" class="footnote"><em>A República Federal</em>&nbsp;(Bahia), 21 de abril e 14 de outubro de 1888.</li><li id="footnote_82_2576" class="footnote"><em>A Província</em>&nbsp;, 26 de maio de 1888; Antônio da Silva Jardim,&nbsp;<br><em>A pátria em perigo (Bragança e Orleans) Conferência sobre a atual situação brasileira, realizada na cidade de Santos na noite de 88 de janeiro de 1888</em>&nbsp;(São Paulo, 1888), 21-22. Jardim repetiu as ideias deste discurso, proferido no início de sua carreira como tribuno republicano, por todo o Brasil durante o ano e meio seguinte.</li><li id="footnote_83_2576" class="footnote">Para a fundação do positivismo no Brasil, ver João Camillo de Oliveira Torres,&nbsp;<em>O positivismo no Brasil</em>&nbsp;(Petrópolis, 1943); Ivan M. de Barros Lins,&nbsp;<em>História do positivismo no Brasil</em>&nbsp;(São Paulo, 1954); Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes,&nbsp;<em>Nossa inissiassão no positivismo. Nota retificada ao Rezumo Istórico do Movimento Positivista no Brasil, publicado em 1888</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1889). Para um pensamento positivista sobre o catolicismo, ver Raimundo Teixeira Mendes,&nbsp;<em>O Culto Católico reflexões positivistas sobre o culto católico, considerado como os herdeiros das religiões anteriores pela adoraçã do redentor e precursor imediato da Religião da Humanidade pelo estímulo da virgem-mãi</em>&nbsp;(Rio de Janeiro, 1903), especialmente 185-224.</li><li id="footnote_84_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>&nbsp;, 19 de fevereiro de 1871.</li><li id="footnote_85_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 3 de dezembro de 1871.</li><li id="footnote_86_2576" class="footnote"><em>A Boa Nova</em>, 20 de março de 1872<strong>.</strong></li><li id="footnote_87_2576" class="footnote"><em>A Crónica Religiosa</em>, III, 34 (28 de julho de 1872), 271.</li><li id="footnote_88_2576" class="footnote"><em>A Ordem</em>, 6 de setembro de 1872.</li><li id="footnote_89_2576" class="footnote"><em>A Boa Nova</em>, 9, 20, 27 de novembro e 4 de dezembro de 1872; 5 de fevereiro e 8 de março de 1873.</li><li id="footnote_90_2576" class="footnote"><em>A Boa Nova</em>, 17 de maio de 1873</li><li id="footnote_91_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>&nbsp;, 11 de maio de 1873. Parece ser um simples exagero. Mas sem nomeá-los,&nbsp;<em>O Apóstolo</em>&nbsp;estava atacando Quintino Bocaiuva, cujo entusiasmo pelo republicanismo argentino era bem conhecido, e a propaganda de José Carlos Rodrigues de Nova York. Veja&nbsp;<em>Ibid</em>&nbsp;., 15 de janeiro de 1871.</li><li id="footnote_92_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 4 de março de 1874.</li><li id="footnote_93_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 1, 10, 29 de janeiro; 21 de março de 1875; 11 de julho de 1877.</li><li id="footnote_94_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 30 de junho de 1875. Veja também a edição de 21 de abril de 1876.</li><li id="footnote_95_2576" class="footnote"><em>A Reacção</em>, 21 de junho de 1879.</li><li id="footnote_96_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 25 de abril de 1879. Sobre a opinião dos estudantes sobre o catolicismo, ver&nbsp;<em>A República</em>&nbsp;(São Paulo), IV, 2 (21 de abril de 1879).</li><li id="footnote_97_2576" class="footnote"><em>O Monitor Católico</em>&nbsp;, 7 de julho de 1881.</li><li id="footnote_98_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 21 de julho de 1881.</li><li id="footnote_99_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 24 de julho de 1881.</li><li id="footnote_100_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>&nbsp;, 18 de setembro de 1885. Campos Salles eventualmente se tornou presidente do Brasil. Antes disso, João Manuel de Carvalho, então vivendo aposentado, escreveu sobre ele: “Não há, nunca houve, nem haverá nesta terra da Verdadeira Cruz [Brasil] um ministro [que seja] um inimigo maior da Igreja.. . .” João Manuel de Carvalho, <em>Reminiscências vultos e factos do império e da república</em>&nbsp;(Campinas, 1895), 137.</li><li id="footnote_101_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>, 20 e 25 de julho de 1884.</li><li id="footnote_102_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 4 de dezembro de 1885, 14 de fevereiro de 1886.</li><li id="footnote_103_2576" class="footnote"><em>A Aurora</em>&nbsp;, 8 de agosto de 1886. Veja também a edição de 28 de novembro de 1886.</li><li id="footnote_104_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>, 21 de outubro de 1888.</li><li id="footnote_105_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 6 de janeiro de 1889.</li><li id="footnote_106_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 17 de fevereiro de 1889.</li><li id="footnote_107_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>., 5 de junho de 1889.</li><li id="footnote_108_2576" class="footnote"><em>Ibid</em>&nbsp;., 14 de julho de 1889.</li><li id="footnote_109_2576" class="footnote"><em>Almanaque republicano brasileiro para o ano de 1889 em homenagem ao centenário da revolução francesa, ano</em>&nbsp;I (Rio de Janeiro, 1889), 88;&nbsp;<em>A Revista Federal</em>&nbsp;, I, 11 (31 de março de 1887), 6;&nbsp;<em>A Gazeta Nacional</em>&nbsp;, 5 de maio de 1888.</li><li id="footnote_110_2576" class="footnote">Para seu discurso e a reação a ele, veja a introdução de suas&nbsp;<em>Reminiscências</em>&nbsp;, vii-xxiv.</li><li id="footnote_111_2576" class="footnote">Furtado de Menezes, <em>Clero mineiro</em> (2 vols., Rio de Janeiro, 1933-1936), I, 190.</li><li id="footnote_112_2576" class="footnote"><em>O Bom Ladrão</em>, 10 de outubro de 1873, <em>et. seg</em>.</li><li id="footnote_113_2576" class="footnote">Informações dadas ao autor por Dom Serafim Gomes Jardim, Arcebispo demissionário de Diamantina, em entrevistas em junho de 1961, em Diamantina, Minas Gerais. Como padre recém-ordenado, Dom Serafim tornou-se secretário de Dom João pouco antes da morte deste. Interessado em história, Dom Serafim questionou o idoso prelado sobre sua atitude em relação à monarquia e à república.</li><li id="footnote_114_2576" class="footnote">João Pandiá Calógeras, <em>História do Brasil</em> (Morro da Capela, 1939), 243, atribui esse conto a Capistrano de Abreu. Ver também Manuel Barbosa, <em>A igreja no Brasil, notas para a sua história</em> (Rio de Janeiro, 1945), 284.</li><li id="footnote_115_2576" class="footnote">Bullário, II, 196.</li><li id="footnote_116_2576" class="footnote"><em>O Apóstolo</em>, 24 de março de 1874.</li><li id="footnote_117_2576" class="footnote">Um Cattòlico Brazileiro, <em>Ensaio de programa para o partido católico no Brasil</em> (Pôrto e Braga, 1877), 30. Ver capítulo 4 intitulado “A Monarchia”, 28-34.</li></ol>]]></content:encoded>
					
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		<title>Dom Pedro II e as autoridades do seu tempo: novos encontros e reflexões nos Diários do Imperador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 12:05:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dom Pedro II]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Diários de Dom Pedro II]]></category>
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					<description><![CDATA[⏱️ Tempo estimado: 4 minutos ⏱️ Você está lendo há 00:00 Dando continuidade à análise dos diários de Dom Pedro II, exploramos mais algumas personalidades importantes que cruzaram o caminho do imperador. Cada uma delas deixou uma impressão que o soberano registrou com cuidado em suas anotações, revelando mais sobre...]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Dando continuidade à análise dos diários de Dom Pedro II, exploramos mais algumas personalidades importantes que cruzaram o caminho do imperador. Cada uma delas deixou uma impressão que o soberano registrou com cuidado em suas anotações, revelando mais sobre sua visão do mundo e das pessoas com as quais interagia.</p>



<h3 class="wp-block-heading">8. <strong>Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Barão do Rio Branco, conhecido por seu papel decisivo na diplomacia brasileira, era uma figura de destaque. Dom Pedro II, que reconhecia a importância de manter boas relações diplomáticas, escreveu:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;O jovem José Maria possui uma mente arguta e uma paixão evidente pela nação. Tenho certeza de que sua carreira será brilhante, trazendo honra ao Brasil.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">9. <strong>Thomas Edison</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro de Dom Pedro II com Thomas Edison, durante sua viagem aos Estados Unidos, foi marcante. O imperador ficou fascinado pelas invenções de Edison, especialmente pelo fonógrafo. Em seus diários, ele registrou:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Edison é um verdadeiro gênio. Suas invenções, acredito, transformarão o mundo de formas que ainda não podemos imaginar. Fico impressionado com seu espírito inovador.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">10. <strong>Abraham Lincoln</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Embora Dom Pedro II nunca tenha conhecido pessoalmente Abraham Lincoln, o presidente dos Estados Unidos, ele expressou grande admiração por ele em seus diários, principalmente após o fim da Guerra Civil Americana:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Lincoln é um homem de convicções firmes e um defensor incansável da liberdade. Seu assassinato é uma perda não apenas para os Estados Unidos, mas para todo o mundo civilizado.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">11. <strong>Visconde de Taunay (Alfredo d&#8217;Escragnolle Taunay)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Visconde de Taunay, além de político, era um renomado escritor e militar. Dom Pedro II, um ávido leitor e admirador das artes, comentou sobre ele:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Taunay é um homem de múltiplos talentos. Sua pena é afiada, e suas observações sobre a sociedade são profundas. É um prazer contar com alguém tão dedicado ao Brasil e à literatura.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">12. <strong>Giuseppe Garibaldi</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Garibaldi, o herói dos dois mundos, esteve envolvido na Revolução Farroupilha no Brasil antes de retornar à Europa. Dom Pedro II, refletindo sobre a figura de Garibaldi, anotou:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Garibaldi é um símbolo de coragem e luta pela liberdade. Embora nossas visões possam divergir, sua determinação é inegável e merece respeito.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">13. <strong>Rui Barbosa</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Rui Barbosa, um dos mais brilhantes juristas e intelectuais do Brasil, também era frequentemente mencionado por Dom Pedro II. Mesmo em tempos em que as ideias republicanas começavam a ganhar força, o imperador reconhecia o talento de Rui Barbosa:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Rui é um homem de letras e de justiça. Ainda que nossas opiniões possam divergir, não posso deixar de admirar sua dedicação à causa pública e seu zelo pelo bem-estar do Brasil.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">14. <strong>D. Miguel I de Portugal</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Pedro II teve encontros e trocas de correspondências com várias figuras reais europeias, incluindo D. Miguel I de Portugal. O imperador brasileiro, que mantinha uma postura diplomática, comentou:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;D. Miguel é uma figura complexa, com um destino marcado por controvérsias. Apesar das diferenças políticas que o afastaram do trono, há uma nobreza em seu caráter que não pode ser ignorada.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">15. <strong>Alfred Nobel</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Durante uma de suas viagens à Europa, Dom Pedro II teve a oportunidade de conhecer Alfred Nobel, o inventor da dinamite e idealizador do Prêmio Nobel. Em seu diário, ele escreveu:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Nobel é um homem de invenções e de paradoxos. Sua criação, que pode tanto destruir quanto construir, reflete a dualidade do progresso humano. Fico intrigado com sua visão de premiar aqueles que mais contribuírem para a paz e o bem-estar da humanidade.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">Conclusão</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Pedro II foi um imperador que, apesar das responsabilidades e desafios de seu tempo, sempre se manteve aberto ao diálogo e à aprendizagem. Seus diários são um testemunho não apenas de seu reinado, mas também de seu profundo interesse pelas pessoas e ideias que moldaram sua era. As reflexões sobre as personalidades que encontrou ou sobre as quais meditou mostram um governante atento e curioso, com um forte compromisso com o progresso do Brasil e a compreensão das complexidades humanas.</p>
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		<title>Dom Pedro II e as autoridades de seu tempo: encontros e comentários nos Diários do Imperador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2024 19:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dom Pedro II]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Império do Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[⏱️ Tempo estimado: 4 minutos ⏱️ Você está lendo há 00:00 Dom Pedro II, último imperador do Brasil, era conhecido por sua dedicação ao país e por seu espírito curioso e intelectual. Seus diários, escritos ao longo de décadas, oferecem uma visão única e pessoal de suas interações com diversas...]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Dom Pedro II, último imperador do Brasil, era conhecido por sua dedicação ao país e por seu espírito curioso e intelectual. Seus diários, escritos ao longo de décadas, oferecem uma visão única e pessoal de suas interações com diversas autoridades, tanto do Brasil quanto do exterior. A seguir, destacamos algumas dessas personalidades, acompanhadas dos comentários que o imperador fez sobre elas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">1. <strong>Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das figuras mais proeminentes do Brasil imperial, o Barão de Mauá, era um empreendedor visionário. Dom Pedro II reconhecia o valor das iniciativas do barão, especialmente no que diz respeito à modernização do país. Em uma das entradas de seu diário, o imperador comentou:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Mauá, sempre ativo e com ideias inovadoras, mostra-se um verdadeiro patriota. Suas obras, ainda que controvérsias se levantem, hão de prosperar para o bem do Império.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">2. <strong>Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Vital, bispo de Olinda, teve um papel significativo durante o episódio conhecido como a &#8220;Questão Religiosa&#8221;. Dom Pedro II, que buscava equilibrar as tensões entre o Estado e a Igreja, mencionou em seu diário:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Dom Vital é um homem de fé inabalável, mas temo que sua rigidez possa causar mais atritos do que soluções. Precisamos de harmonia, e não de mais dissensões.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">3. <strong>Duque de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Duque de Caxias, considerado o patrono do Exército Brasileiro, era um dos homens de maior confiança de Dom Pedro II. O imperador frequentemente se referia a ele com grande respeito. Em uma anotação, escreveu:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Caxias é um exemplo de honra e dever. Em tempos de paz ou guerra, sei que o Brasil está seguro sob sua liderança.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">4. <strong>Rainha Vitória do Reino Unido</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A relação diplomática entre o Brasil e o Reino Unido era de grande importância, e Dom Pedro II manteve correspondência com a Rainha Vitória. Em uma visita ao Reino Unido, ele registrou:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;A Rainha Vitória é uma mulher de grande sagacidade. Nossas conversas são sempre enriquecedoras, e sua visão sobre a política mundial é digna de admiração.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">5. <strong>Conde D’Eu (Gastão de Orléans)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Conde D’Eu, casado com a Princesa Isabel, era uma figura influente na corte brasileira. Dom Pedro II, embora inicialmente hesitante quanto ao casamento da filha, escreveu após conhecê-lo melhor:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Gastão, embora francês, mostra-se cada vez mais comprometido com o Brasil. Seu caráter é firme, e seu amor por Isabel é sincero.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">6. <strong>Papa Pio IX</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Durante seu reinado, Dom Pedro II teve a oportunidade de visitar o Papa Pio IX em Roma. O encontro foi significativo para o imperador, que registrou:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;O Papa Pio IX é um homem de grande espiritualidade. Nossa conversa sobre fé e humanidade tocou-me profundamente, e saí de sua presença com o espírito elevado.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">7. <strong>Conde de Gobineau (Joseph Arthur de Gobineau)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Conde de Gobineau, diplomata e escritor francês, também é citado nos diários de Dom Pedro II. Em uma passagem, o imperador comentou sobre suas interações:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Gobineau tem ideias peculiares sobre as raças e a sociedade, algumas das quais discordo veementemente. Contudo, suas observações sobre o Brasil são perspicazes e merecem reflexão.&#8221;</em></p>



<h3 class="wp-block-heading">Conclusão</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os diários de Dom Pedro II não apenas documentam os eventos e encontros de seu reinado, mas também revelam as percepções e julgamentos do imperador sobre as figuras que ajudaram a moldar o Brasil e o mundo em sua época. Suas palavras, ora elogiosas, ora críticas, mostram um governante atento, sempre buscando o melhor para seu país e ciente das complexidades das relações humanas e políticas.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Espero que o artigo atenda às suas expectativas! Caso deseje adicionar mais detalhes ou ajustes, estou à disposição.</p>
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		<title>Os Diários de Dom Pedro II: Reflexos de um Imperador em Evolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2024 00:42:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação Monárquica]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Pedro II]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Dom Pedro II, o último imperador do Brasil, deixou um legado imensurável não apenas na história política do país, mas também em sua vasta produção literária e reflexiva, imortalizada em seus diários. Esses escritos revelam a complexidade de um governante que, desde cedo, assumiu o trono e guiou o Brasil por quase cinco décadas. Através dos diários, podemos acompanhar a evolução de seu pensamento, sua profunda religiosidade, e sua notável habilidade em tratar com as pessoas, qualidades que o distinguiram como um líder e como ser humano.</p>



<h4 class="wp-block-heading">A Evolução do Pensamento de um Jovem Imperador</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Os diários de Dom Pedro II são uma janela para a mente de um jovem que, aos 14 anos, foi coroado imperador do Brasil. Nas primeiras anotações, nota-se a angústia de um jovem sobrecarregado pela responsabilidade de governar um vasto império. À medida que os anos passam, é possível observar uma maturação constante em suas reflexões. Dom Pedro II demonstra uma curiosidade intelectual voraz, interessado em diversas áreas do conhecimento, desde literatura e ciências até filosofia e política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua evolução como pensador é evidenciada nas discussões sobre a abolição da escravatura e outras reformas sociais. Com o tempo, ele desenvolve uma postura mais crítica e humanista, sempre buscando o bem-estar de seu povo. O compromisso com a justiça social se torna cada vez mais evidente, revelando um monarca que não apenas governava, mas que também desejava profundamente compreender e melhorar a sociedade brasileira.</p>



<h4 class="wp-block-heading">A Profunda Religiosidade de Dom Pedro II</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A religiosidade de Dom Pedro II é um aspecto central de sua personalidade, e isso transparece claramente em seus diários. Desde jovem, ele foi profundamente influenciado pela fé católica, que moldou seu senso de dever e moralidade. Em suas anotações, há diversas passagens que revelam momentos de introspecção e oração, onde o imperador busca orientação divina para enfrentar os desafios de seu reinado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora profundamente religioso, Dom Pedro II também exibia uma mente aberta e tolerante, refletindo sobre as diversas expressões de fé que encontrava em suas viagens pelo Brasil e pelo mundo. Sua espiritualidade não era marcada pelo dogmatismo, mas sim por uma busca constante por sabedoria e compreensão, características que o tornaram um líder respeitado não apenas por sua autoridade, mas também por sua integridade moral.</p>



<h4 class="wp-block-heading">A Habilidade de Tratar com as Pessoas</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Outra qualidade marcante de Dom Pedro II, amplamente documentada em seus diários, era sua notável habilidade em tratar com as pessoas. Desde sua juventude, o imperador desenvolveu um talento único para interagir com indivíduos de diferentes origens e classes sociais. Ele era conhecido por seu trato afável e sua capacidade de escutar, o que lhe permitia construir uma relação de confiança com seus súditos e diplomatas estrangeiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os diários revelam encontros com figuras ilustres da época, onde o imperador demonstrava não apenas sua inteligência, mas também uma genuína empatia. Essa habilidade em lidar com pessoas diversas foi crucial para manter a estabilidade política em um período de grandes transformações no Brasil. Dom Pedro II sabia equilibrar a firmeza necessária para liderar com a delicadeza necessária para mediar conflitos, sempre buscando soluções pacíficas e justas.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Dom Pedro II não foi apenas um imperador; ele foi um homem cuja vida e obra ainda ressoam na história do Brasil. Seus diários são mais do que registros históricos; são o testemunho de uma mente em constante evolução, de uma alma profundamente religiosa, e de um líder com uma extraordinária habilidade em tratar com as pessoas. Esses escritos continuam a inspirar e a oferecer lições valiosas sobre liderança, humanidade e a busca incessante pelo conhecimento e pela justiça.</p>



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		<title>Curiosidade: pedra em que Dom Pedro II teria escorregado é preservada no Santuário do Caraça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 18:50:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dom Pedro II]]></category>
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					<description><![CDATA[⏱️ Tempo estimado: 6 minutos ⏱️ Você está lendo há 00:00 Viagem do imperador ao Caraça, no ano de 1881, trouxe deslumbramento, situações inusitadas, como o escorregão, mas muito conhecimento; sua frase &#8211; Só o Caraça paga toda a viagem a Minas &#8211; ganhou fama O Santuário do Caraça (Estrada...]]></description>
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