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	<title>Pedro III &#8211; Monarquia J&aacute;!</title>
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	<description>Pela restauração da honestidade na vida política! Monarquia Já</description>
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		<title>POR QUE OS REIS DE PORTUGAL NÃO USAM COROA?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2019 23:41:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[⏱️ Tempo estimado: 5 minutos ⏱️ Você está lendo há 00:00 POR QUE OS REIS DE PORTUGAL NÃO USAM COROA? EM TODAS AS IMAGENS, A COROA ESTÁ NA MESA E A CABEÇA ESTÁ SEM NADA Durante toda a dinastia dos Bragança, as imagens oficiais dos reis eram marcadas pela inutilização...]]></description>
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<h4><em>POR QUE OS REIS DE PORTUGAL NÃO USAM COROA? EM TODAS AS IMAGENS, A COROA ESTÁ NA MESA E A CABEÇA ESTÁ SEM NADA</em></h4>
<p class="lead"><em><strong>Durante toda a dinastia dos Bragança, as imagens oficiais dos reis eram marcadas pela inutilização da Coroa Real. Entenda o motivo</strong></em></p>
</blockquote>
<p class="autor">ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 25/04/2019</p>
<p class="autor">A Coroa é um símbolo de suma importância para as monarquias, ela representa e marca o poder do Rei. Diversos reis na História foram retratados por imagens e símbolos e a Coroa é tradicionalmente um elemento imagético no universo de signos régios. Este não é o caso das representações em imagem dos reis de Portugal desde a restauração e a independência do país após anos de <a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/quando-o-brasil-era-da-espanha.phtml">União Ibérica</a>.</p>
<div class="addthis_inline_share_toolbox" data-url="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/por-que-os-reis-de-portugal-nao-usam-coroa-em-todas-imagens-coroa-esta-na-mesa-e-cabeca-esta-sem-nada.phtml" data-title="Por que os reis de Portugal não usam coroa? Em todas as imagens, a coroa está na mesa e a cabeça está sem nada" data-description="Durante toda a dinastia dos Bragança, as imagens oficiais dos reis eram marcadas pela inutilização da Coroa Real. Entenda o motivo"></div>
<div class="artigo_texto">
<p>A partir de 1640, ano do fim da União, assume em Portugal a Casa Real de Bragança, linhagem que governou o Império Português até a dissolução da monarquia em 1910. A tradição dos Bragança não era muito distinta do restante a cultura política de outras partes da Europa: monarcas absolutistas que negociavam as bases de seu poder com as cortes e sustentavam a exploração marítima de suas colônias ultramarinas. Porém, a nível imagético, a distinção da representação dos reis de Portugal é significativa.</p>
<p>Para além da pintura, os reis de Portugal não eram formalmente coroados, sendo conclamados em sua posição a partir do título de Dom. A tradição existe desde a fundação da monarquia bragantina, com D. João IV, em 1640. Na decorrência de sua coroação, o rei se recusou a colocar em sua cabeça o símbolo da monarquia e, ao invés disso, colocou a coroa nos pés da estátua da Virgem Maria, a declarando “Rainha de Portugal” e “Guardiã da Coroa”. Hoje se discute se o ato foi uma posição da fé declarada do monarca ou uma forma de articular a unidade de Portugal a partir da tradição católica como forma de manutenção da independência em relação à Espanha.</p>
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<figure class="image"><img decoding="async" src="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/imagem_de_nossa_senhora_de_fatima_-_jose_ferreira_thedim.jpg" alt="" /><figcaption>N. Sra. de Fátima coroada/ Crédito: José Ferreira Thedim</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>No caso da imagem de Dom José I, a relação é mais clara. O rei posa sem a coroa, mas o cetro que segura está apoiado na mesa onde a coroa está depositada:</p>
<figure class="image"><img decoding="async" src="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/rei2joseemanuel.png" alt="" /><figcaption>D. José Emanuel/ Crédito: Wikimedia Commons</figcaption></figure>
<figure><figcaption></figcaption></figure>
<p>Além de apontar diretamente para a Coroa, a disposição dos elementos do quadro demonstra uma relação entre Rei e Coroa que é, ao mesmo tempo, de associação e de distância.</p>
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<p>O mesmo se vê no retrato pintado por Pompeo Batoni, representação do rei Dom João V, o Magnânimo. O Rei usa em sua cabeça a tradicional peruca da nobreza, que declara o poder e a riqueza moral do monarca, mas a coroa permanece na mesa, onde se apoia o cetro real:</p>
<figure class="image"><img decoding="async" src="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/re3joao5.jpg" alt="" /><figcaption>D. João V/ Crédito: Wikimedia commons</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A relação entre o campo simbólico da representação do rei e a tradição política pronunciada pela monarquia é um elemento básico para entender o campo da monarquia dos Bragança. Isso, pois, é elementar na concepção política do monarca português o fator mitológico que fundamenta o universo político de Portugal, nos séculos bragantinos. É impossível entender a política em Portugal sem somar à equação a ascensão, a partir do século XVII, do Sebastianismo.</p>
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<div id="google_ads_iframe_/8804/parceiros/aventuras_na_historia_5__container__">Contam as histórias tradicionais que Dom Sebastião I de Portugal,  foi um dos grandes nomes da <a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/reconquista-a-queda-do-isla-na-peninsula-iberica.phtml">Reconquista ibérica</a> e batalhou incessantemente pela vitória do mundo católico. Em sua última destreza, Sebastião partiu para a guerra com os mouros em Alcácer-Quibir (atualmente Marrocos), onde morreu em batalha.</div>
</div>
</div>
<p>Entretanto, no mito desse rei, defende-se que Sebastião nunca morreu, pois seu corpo nunca foi encontrado. Na verdade, o rei não havia morrido, mas apenas desaparecido e, como um Messias, seu destino era um dia retornar a Portugal e assumir novamente a Coroa.</p>
<p>O Sebastianismo, portanto, é a crença mitológica do retorno futuro de Sebastião como Rei de Portugal. Segundo essa lógica, o verdadeiro rei da nação portuguesa é Sebastião, o “rei adormecido”. Enquanto isso, os sucessores de Sebastião e reis temporários do Império seriam, no limite, guardiões da Coroa Portuguesa na espera do retorno do verdadeiro rei. O Sebastianismo teve grande influência em Portugal e também no <a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/brasil-1838-sacrificios-humanos.phtml">Brasil</a>.</p>
<p>Nesse universo político, o rei de Portugal guarda a coroa enquanto a Virgem Maria, ou a Nossa Senhora de Fátima, consideradas padroeiras de Portugal e mãe de Cristo, é abençoadora do reinado português e mantenedora da sacralidade da Coroa. Nesse sentido, é possível entender a representação imagética dos reis. Veja, por exemplo, a imagem de Pedro III, o Edificador:</p>
<figure class="image"><img decoding="async" src="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/rei4pedro3.jpeg" alt="" /><figcaption>D. Pedro III/ Crédito: Wikimedia Commons</figcaption></figure>
<figure><figcaption></figcaption></figure>
<p>O retrato de Pedro III, a representação é clara: mais do que possuindo, mas não usando, a Coroa, o monarca protege o símbolo da monarquia, segurando-a como se a guardasse, enquanto expõe em seu peito a Cruz da Ordem de Cristo.</p>
<p>O Rei de Portugal seria, portanto, um representante nobre da Coroa que serve de guardião da instituição sacra da monarquia lusitana, enquanto aguarda o verdadeiro dono da Coroa, único que poderia coloca-la na cabeça e ser declarado monarca absoluto do Império Português, representante digno do Poder, o Rei Sebastião.</p>
<p>A Nossa Senhora, nesse caso, apareceria como equivalente, no campo do divino, ao poder simbólico de Sebastião, pois ambos se confundem simbolicamente com a própria ideia de “Portugal” como nação monárquica e católica.</p>
</div>
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