<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Monarquias européias &#8211; Monarquia J&aacute;!</title>
	<atom:link href="https://monarquista.com.br/tag/monarquias-europeias/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://monarquista.com.br</link>
	<description>Pela restauração da honestidade na vida política! Monarquia Já</description>
	<lastBuildDate>Mon, 10 Dec 2018 09:56:17 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2022/01/cropped-Marca-Bicentenario-da-Independencia-32x32.jpg</url>
	<title>Monarquias européias &#8211; Monarquia J&aacute;!</title>
	<link>https://monarquista.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">41923441</site>	<item>
		<title>Entre tradições e mudanças, segue altaneira a Nobreza européia</title>
		<link>https://monarquista.com.br/entre-tradicoes-e-mudancas-segue-altaneira-a-nobreza-europeia/</link>
					<comments>https://monarquista.com.br/entre-tradicoes-e-mudancas-segue-altaneira-a-nobreza-europeia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Dec 2018 09:56:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Analise Política]]></category>
		<category><![CDATA[Nobreza Européia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Realeza]]></category>
		<category><![CDATA[José de Souza Serrão]]></category>
		<category><![CDATA[Monarquias européias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://monarquista.com.br/?p=1797</guid>

					<description><![CDATA[Há mudanças na Monarquia e só quem consegue notá-las são aqueles que a conhecem bem como José Souza Serrano. Português, monarquista, especialista em assuntos da nobreza, em entrevista para o portal Delas afirma: &#8220;Um monarca não é uma pessoa que vem de longe, que fica por quatro anos, é reeleito e...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="td-pb-span8 td-main-content" role="main">
<div class="td-ss-main-content">
<article id="post-494294" class="post-494294 post type-post status-publish format-gallery has-post-thumbnail hentry category-pessoas tag-belgica tag-casas-reais tag-chefe-de-protocolo tag-dinamarca tag-diplomata tag-embaixador tag-europa tag-familias-reais tag-hoanda tag-inglaterra tag-jose-bouza-serrano tag-liechtenstein tag-livro tag-manchete tag-monaco tag-noia tag-noruega tag-princesas tag-principes tag-rainhas tag-reis tag-suecia post_format-post-format-gallery">
<div class="td-post-content">
<blockquote><p><em><strong>Há mudanças na Monarquia e só quem consegue notá-las são aqueles que a conhecem bem como José Souza Serrano. Português, monarquista, especialista em assuntos da nobreza, em entrevista para o portal <a href="https://www.delas.pt/jose-bouza-serranoas-plebeias-foram-as-maes-de-aluguer-mas-com-tiaras-e-brilhantes/" target="_blank" rel="noopener">Delas</a> afirma: &#8220;Um monarca não é uma pessoa que vem de longe, que fica por quatro anos, é reeleito e depois vai embora. A Monarquia dá-nos um back up [salvaguarda], a República não porque se esgota nos mandatos&#8221;. Outra de suas afirmações nos remetem ao futuro que aguarda a monarquia: &#8220;Se a pastora pôde ser princesa, se a gata borralheira pôde ser princesa, porquoi pas moi? Porque não eu? (risos) É o síndrome do Walt Disney, nós temos muito isto&#8221;.</strong></em></p></blockquote>
<p><b>Grande parte das casas reais europeias repousa nas mãos de princesas e, no futuro, rainhas. Como antecipa esta nova ordem europeia?</b></p>
<p>A experiência, até agora, com as rainhas Beatriz da Holanda, e agora Máxima, com Margarida da Dinamarca, com Isabel II em Inglaterra, tem mostrado monarcas que se distinguem pela sua capacidade e prestígio, pela faculdade que têm de se renovarem para manter o poder. Mas essa é uma perspetiva muito interessante porque, daqui a 30 anos, Espanha, Bélgica, Noruega, Suécia e Holanda terão rainhas e príncipes consortes.</p>
<p><b>Que alterações prevê?</b></p>
<p>São todos exemplos e referência. Nas casas reais superou-se, na sua larga maioria, a lei Sálica (exclui as mulheres da sucessão ao trono) e emergiu a primogenitura (primeiro filho nascido sucede na coroa, independentemente do sexo). Se olharmos, são todas monarquias parlamentares em sociedades profundamente democráticas e com tendência, sobretudo no Norte, para serem igualitárias.</p>
<p><b>O futuro passa mais pela formação dos membros do que pelo género?</b></p>
<p>Pois. A formação, porque todos estes pais e mães reais hoje são mais presentes, mais próximos dos seus filhos.</p>
<blockquote><p>“Todos estes pais e mães reais hoje são mais presentes, mais próximos dos seus filhos”</p></blockquote>
<p><b>Também por uma questão de peso, estrutura e funções inerentes à monarquia? Estão hoje mais libertos?</b></p>
<p>Não é. É uma questão de educação. Antes, os filhos eram entregues a percetores, vinham aos jantares todos vestidinhos, dar um beijinho de boa noite aos pais e ‘adeus’. Os príncipes da Dinamarca [Frederico e Joaquim] ressentiram-se disso e já não fizeram assim com os filhos deles. Tinham nannies (amas), percetores, guarda-costas. Havia um deles, não me lembro qual, que estava sempre a jogar à bola com um segurança, que era mais presente do que o pai. De vez em quando, enganava-se e chamava-o de pai (risos).</p>
<p><b>E em que medida é que essa presença mais próxima pode fazer a diferença?</b></p>
<p>Fará a diferença nos afetos. Vê-se muito também na Suécia, a princesa Vitória é muito popular. A ideia da Monarquia pode esbater-se na população e, descendo a um certo nível – talvez abaixo de 50% -, pode pô-la em risco. Mas Vitória é tão popular com o marido [Daniel] e os filhos [Estelle e Óscar] que está próxima das gerações dela. Outro aspeto que se tem notado também é que os reis foram sempre educados para não exprimir os sentimentos porque isso é uma coisa do povo, dos burgueses. Eles têm de estar por cima, <i>au-dessus de la mêlée</i> (acima da tempestade), e não o demonstrar.</p>
<p><b>O que também está a mudar.</b></p>
<p>Quando o príncipe da Dinamarca [Frederico] esperou por Mary Donaldson na igreja e para o casamento, ele comoveu-se. Quando foi o casamento do príncipe Haakon da Noruega [com Mette-Marit] isso também aconteceu. A rainha Sofia chorou copiosamente quando estava a receber o corpo do sogro Juan, Conde de Barcelona – que nunca foi rei de Espanha [o ditador Franco interrompeu a monarquia para a instaurar depois em Juan Carlos].</p>
<p><b>Quem é que fez essa aproximação: foi o povo que a pediu ou foi a realeza que se soltou. E tendo esta deslaçado, fez isso porque quis ou por sobrevivência?</b></p>
<p>Acho que é o ar dos tempos. As pessoas querem rever-se nos seus soberanos nos momentos tanto alegres como tristes, querem sentir que eles estão próximos. Assistimos a isso mesmo quando vemos catástrofes sociais, grandes desastres, incêndios ou atentados. Como aconteceu em Espanha e com o que sucedeu em Atocha [11 de março de 2004], que teve lugar pouco antes do casamento do príncipe Felipe e Letizia. Eles demonstraram que estavam perto do seu povo. Ao <a href="https://www.delas.pt/e-por-isto-que-continuamos-a-falar-de-diana-a-princesa-do-povo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">contrário do que aconteceu com a Rainha Isabel II e a morte de Diana</a> [em agosto de 1997], que não saiu logo de Balmoral. Não percebeu que o povo estava na rua. Depois acabou por vir, mas já era tarde.</p>
<blockquote><p>“As pessoas querem rever-se nos seus soberanos nos momentos tanto alegres como tristes, querem sentir que eles estão próximos”</p></blockquote>
<p><b>Em que medida é que a monarquia europeia aprendeu com o erro de Isabel II e com a morte de Lady Di?</b></p>
<p>Foi sobretudo a monarquia inglesa. As outras casas reais não tiveram problemas tão grandes.</p>
<p><b>Mas não aprenderam nada com esse episódio?</b></p>
<p>As monarquias do Norte têm o seu estatuto, eles são vistos na rua, misturam-se com a população. A Inglaterra mantém sempre a sua distância, e não quer dizer que os outros não a tenham. Cada um sabe o seu sítio, não é? Foi sobretudo um toque a rebate para os Windsor e para a rainha Isabel II. <a href="https://www.delas.pt/meghan-markle-da-primeira-entrevista-depois-de-ter-casado/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agora com a Meghan, a monarca sorri</a>.</p>
<p><b>No seu livro centra-se na questão do casamento entre desiguais (morganáticos), da plebeização das cortes e reparou – dizendo de forma direta e bem-humorada – que observou, em 2013 </b>[na entronização dos reis Guilherme e Máxima da Holanda], que<b> os reis e príncipes herdeiros europeus presentes na cerimónia estavam todos “mal casados”. Quantas gerações de uniões entre desiguais aguentam as monarquias, segurando a sua reputação e credibilidade intactas?</b></p>
<p>Bem (risos), certo é que, até agora, os casamentos têm resultado. Quem é que pensaria que o rei da Noruega ia casar com uma mãe solteira (Mette-Marit)? Quem pensaria que o rei de Espanha ia casar com uma republicana divorciada pelo civil, filha de pais divorciados, algo que até tinha impedido Isabel Sartorius de ser a companheira do príncipe Felipe anos antes [1989/1990]?. Houve uma grande revolução, o mundo onde eu nasci, em 1950, já não existe. Era impensável acontecer o que vemos hoje, muita gente sacrificou os tronos por isto [pela obrigação de terem de casar interpares]. Na Suécia, já Carl XVI Gustav era rei quando decidiu casar-se com uma plebeia, explicando aos súbditos que só o faria por amor, apresentando, tempos depois, a <a href="https://www.delas.pt/carl-philip-e-sofia-da-suecia-aguardam-a-chegada-do-segundo-filho/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rainha Sílvia</a>. Antes de ter assumido o trono, mesmo sem descendência, não podia casar-se fora da lei.</p>
<p><b>A plebeização da nobreza acontece porque eles já são reis e podem definir novas regras?</b></p>
<p>Bem, a primeira é a, hoje, <a href="https://www.delas.pt/brincadeira-inusitada-do-principe-noruegues-no-aniversario-dos-pais/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rainha Sónia da Noruega</a> [1968]. Não tinha uma pinga de sangue real, não era aristocrata sequer, era filha de um empresário de armazéns têxteis na Noruega. Havia noruegueses que não se habituavam a que a menina que estava atrás do balcão passasse, então, a ser princesa [mulher de Harald]. Ela teve uma vida um bocado negra, foi impedida de ir ao Parlamento, não podia ter – sendo um mulher culta e interessada nas artes – a sua secretaria, não podia acompanhar o rei. Mas ela conseguiu inverter isso.</p>
<p><b>Se a próxima geração de príncipes e princesas herdeiros casar com plebeus, conseguirá a monarquia sustentar essa aura que as coloca num patamar elevado face ao resto da sociedade?</b></p>
<p>Não sei. Podem, de repente, os povos não se importar e ter uma dinastia histórica mesmo que se vá plebeizando. Para mim e para a minha geração, a monarquia fazia a diferença devido à exclusividade, à endogamia, havia uma forma comum a todos, eles eram formatados, podiam servir em qualquer país, assimilavam-se, identificavam-se, eram treinados para isso. Olhe, o caso da <a href="https://www.delas.pt/rainha-sofia-80-anos-de-discricao-bom-gosto-e-polemica/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rainha Sofia que, sendo grega, assimilou, aprendeu Espanha, identificou-se, tinha esse treino</a>. Mas também teve de ser formada para sofrer um certo número de coisas… o rei emérito<a href="https://www.delas.pt/ex-amante-de-juan-carlos-prepara-se-para-revelar-escandalos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Juan Carlos tem aquele lado Borbón, sempre foi muito mulherengo e toda a gente o sabe</a>, mas é preciso ter uma consorte que aguente tudo isto. Por isso, é que ele dizia da rainha: ‘Ela é uma grande profissional’. Agora, as pessoas que vêm da Austrália, da Argentina, da Nova Zelândia ou da África do Sul não pensam desta forma. Dirão: ’O quê, estás-me a enganar com outra não-sei-quê? Não’. Olhe, o príncipe Carlos dizia à pobre Lady Di: ‘Tu queres que eu seja o único príncipe de Gales que não teve uma amante? Onde é que isso já se viu, que raio, mas que caturrice a tua.. ‘(risos)</p>
<blockquote><p>“O príncipe Carlos dizia à pobre Lady Di: ‘Tu queres que eu seja o único príncipe de Gales que não teve uma amante? Onde é que isso já se viu”</p></blockquote>
<p><b>E Diana, mesmo pertencendo à aristocracia, não aceitou isso.</b></p>
<p>(Risos) Pois, ela também teve os seus ‘pinitos’. Pagou-lhe com a mesma moeda. Mas é que também há a teoria dos dois corpos do rei: o rei para procriar e fazer a dinastia e o rei homem.</p>
<p><b>É só a história da monarquia na Europa.</b></p>
<p>Só que não havia comunicação social (risos). E, sobretudo, não havia telemóveis.</p>
<p><b>Há depois o outro lado: o aspiracional. Qual é o menino ou menina comum que, vendo agora esta realidade, não sonha com a possibilidade de um dia casar com um futuro rei ou rainha?</b></p>
<p>Exatamente. A ambição até é louvável a um certo nível (risos).<i> </i>Se a pastora pôde ser princesa, se a gata borralheira pôde ser princesa, <i>pourquoi pas moi?</i> Porque não eu? (Risos). É o síndrome do Walt Disney, nós temos muito isto.</p>
<p><b>A monarquia está cheia de Walt Disney?</b></p>
<p>Hoje em dia, sim. Mas os príncipes são diferentes, não são estrelas pop, do rock, atores de cinema.</p>
<blockquote><p>“Se a pastora pôde ser princesa, se a gata borralheira pôde ser princesa, porquoi pas moi? Porque não eu? (risos) É o síndrome do Walt Disney”</p></blockquote>
<p><b>Não são? Quando <a href="https://www.delas.pt/efeito-meghan-markle-chega-a-moda/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Meghan Markle</a>, <a href="https://www.delas.pt/kate-middleton-o-estilo-de-uma-princesa-classica-e-elegante/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kate Middleton</a> ou até<a href="https://www.delas.pt/recorde-os-noivados-reais/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Letizia Ortiz</a> esgotam tudo o que vestem, o que tocam, em que elas surgem como a imagem e o produto, não são estrelas?</b></p>
<p>São, mas vêm de outro estrato, que se mistura com a história dos países. Elas legitimam-se pelo sítio onde se encaixam. É um percurso completamente diferente. Elas entram por cima, por uma estrutura que as serve ao mesmo tempo, e estão a ser escrutinadas todos os dias.</p>
<p><b>As plebeias chegam pela Walt Disney, legitimam-se pela história, mas quando chegam lá têm inúmeras regras à sua espera, através de casamentos cujos contratos devem ser absolutamente leoninos, não?</b></p>
<p>Penso que sim, porque todos preveem os herdeiros, a educação dos herdeiros, os patrimónios, os filhos face eventual separação. Elas foram as mães de aluguer, mas com tiaras e brilhantes (sorriso). Bom, também é uma maneira de produzirem um herdeiro. Nunca tive acesso a nenhum contrato, mas é o que se diz deles. A Charlene do Mónaco, por exemplo, dizia-se que tinha de ter herdeiros em três anos. Não foi nada fácil para ela.</p>
<p><b>Com as monarquias europeias sempre a acompanhar o ar do tempo e numa altura em que os países estão mais livres e inclusivos nos seus valores, estaremos a um passo de, um dia, um herdeiro querer ter um casamento homossexual, com o que implica em matéria de sucessão, e poder fazê-lo?</b></p>
<p>Depende da estrutura do seu país.</p>
<p><b>Eles não estão acima da lei.</b></p>
<p>Isso subverte a descendência e ascendência.</p>
<p><b>Mas imagina essa possibilidade?</b></p>
<p>Já não posso dizer que não (risos). No fundo, quando é que pensávamos que uma <a href="https://www.delas.pt/victoria-da-suecia-faz-39-anos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">princesa da Suécia casava com um <i>personal trainer</i></a>? Academicamente, é possível. O masculino tem de ir buscar uma mãe de aluguer, que já será outra realidade. Ou então, imagine que há uma princesa que dá o seu útero para a procriação. Há um espanhol que dizia, quando o príncipe Felipe estava <i>encaprichado</i> com Eva Sannun [1997 e 2001] que se perguntava por que não podia um príncipe envolver-se com quem quisesse, afinal a Constituição permite tudo isso, não pode haver exceções. As sociedades evoluem, instituições como a monarquia evoluem mais lentamente, mas, como se vê, todas estas mudanças foram em cerca de 50 anos.</p>
<blockquote><p><i>“</i>Se os espanhóis votam de forma diferente… Vejo [a Monarquia em] Espanha com algum risco. Não de a monarquia se implodir, mas de se tornar numa República”</p></blockquote>
<p><b>Num outro plano e perante situações muito concretas. Que riscos corre a monarquia espanhola face à questão da independência da Catalunha?</b></p>
<p>Os separatismos são completamente republicanos. Eles queriam nomear a República numa Monarquia, que era a fragmentação das Espanhas e, aí, é como na Bélgica: a coroa é que faz a união. São muitos reinos. Tenho medo.</p>
<p><b>Tem medo. Porquê?</b></p>
<p>Estávamos, ainda há pouco, a falar dos casamentos homossexuais e da graça de tudo isso, mas é muito longínquo. Já a questão da instituição da monarquia é outra. Basta ter uma composição de partidos diferente nas eleições. Temos vivido no bipartidismo, o PP e o PSOE, e ambos aceitavam Juan Carlos como o monarca que trouxe a democracia ao país. Mas se os espanhóis votam de forma diferente… Vejo Espanha com algum risco. Não de a Monarquia se implodir, mas de se tornar numa República. Espanha é um reino pela Constituição. Se ganha um partido republicano ou um Podemos ou outros e vemos formar-se uma maioria que decide fazer um referendo.</p>
<p><b>Ou um Vox.</b></p>
<p>Pois não sei, não sabemos. No PP e no PSOE houve toda a corrupção, e as pessoas olham para os políticos como os maus exemplos que os enganam. Uma vez caçados os votos, depois vivem à tripa-forra, roubando descaradamente nos cofres do Estado. Quando isso também acontece na monarquia, isso enfraquece a instituição.</p>
<p><b>Como foi o caso de Iñaki Urdangarin </b><a href="https://www.dn.pt/mundo/interior/o-primeiro-dia-de-inaki-na-prisao-uma-cela-com-duche-e-dois-rolos-de-papel-higienico-9480320.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">[marido da infanta Cristina condenado no caso de corrupção Noos]</a><b>.</b></p>
<p>Este rei [Felipe VI] e a princesa estão impolutos, não foram salpicados, conseguiram escapar. O então rei Juan Carlos, não. Mas se Dona Letizia não se benze na chegada à igreja – o rei é praticante – porque não existem estes hábitos em casas de republicanos… Isto mostra, ao mesmo tempo, que dá muito trabalho ser gata borralheira, tem de aprender muita coisa. É uma formação intensiva.</p>
<blockquote><p>“Dá muito trabalho ser gata borralheira, tem de aprender muita coisa. É uma formação intensiva”</p></blockquote>
<p><b>E o <a href="https://www.delas.pt/o-reino-unido-vai-a-eleicoes-e-sao-nove-as-mulheres-que-vao-mudar-europa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Brexit</a>, entrega mais ou menos poder e influência à família real britânica?</b></p>
<p>Não é uma questão de poder porque o que a Inglaterra quer é a sua independência face aos burocratas de Bruxelas, embora lhe tenha sido muito útil o mercado único. Foram os políticos que acharam que iam ganhar com tudo. A May [primeira-ministra britânica] perdeu, todos perderam. Foi de salto em salto até à derrota final.</p>
<p><b>À margem desta separação, este corte com a UE vai fazer com que os britânicos olhem mais para a realeza e para outras plataformas onde ela está como a Commonwealth?</b></p>
<p>É a <i>Rule Britannia</i>! A monarquia britânica está acima da <i>mêlée</i>. Eles encarnam mais a ideia da Inglaterra soberana, independente, grande e poderosa, mas já não tem esse império. Tal identifica-se mais com os próprios Windsor e monarquia. <a href="https://www.dn.pt/mundo/interior/isabel-ii-pede-a-commonwealth-que-eleja-principe-carlos-como-seu-sucessor-9271328.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Isabel II passou a Commonwealth para o filho e muito bem</a>, mas, a longo-prazo, a instituição também pode sofrer com isso. Agora, enquanto eles mantiverem isso, os Windsor vão estar sempre em alta. E como são <a href="https://www.delas.pt/estes-sao-os-membros-da-familia-real-mais-populares-e-ha-surpresas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">populares</a>… Francamente, não sei como será com<a href="https://www.delas.pt/rainha-isabel-ii-maternal-no-70o-aniversario-do-filho/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Carlos, o príncipe herdeiro</a>.</p>
<p><b>Com tantas mudanças políticas, sociais e de costumes, o que tem mantido os súbditos ligados aos seus soberanos?</b></p>
<p>A Monarquia é o símbolo de unidade, face externa, carne cultural de gerações e gerações que contribuíram para a grandeza de um país. E todos eles [os elementos das realezas] são socialmente muito evoluídos, têm grandes conquistas na ciência, inscrevem-se no dia-a-dia ao lado dos seus cidadãos, pagam impostos – o que tem reflexos na educação, saúde. E são países ricos. A Inglaterra tem os seus problemas, mas é rica, a Suécia, a Noruega, o Liechtenstein, em que a família real se paga a ela própria.</p>
<p><b>Podemos presumir que um povo que entre numa crise profunda de austeridade facilmente prescinda da sua família real </b>(por via dos custos inerentes à instituição)<b>?</b></p>
<p>Eles vão continuar a identificar-se com a sua população e o país, as pessoas precisam de estabilidade. Como a política é frágil, as pessoas precisam de uma referência, e uma família real é-a, se for patriota, próxima dos seus concidadãos.</p>
<p><b>Por contraposição, países que se vejam numa crise política extraordinária podem recuperar as suas casas reais?</b></p>
<p>Não sei. Depois de Juan Carlos ter recuperado o trono espanhol [em 1975, após a ditadura franquista], houve um movimento curioso: o rei Simeão II da Bulgária conseguiu ser primeiro-ministro [cargo republicano] e colocou o país – além dos problemas – na UE e na NATO, depois perdeu as eleições a seguir. Na Roménia, o rei foi identificado como antigo chefe de Estado e teve cerimónias fúnebres reais. Em Itália, nem pensar até porque a própria chefia das casas é controversa. Em princípio, o mister da Monarquia também se justifica por esta distância e proximidade, em que há um paralelismo entre as populações e os seus soberanos.</p>
<p><strong>De que forma?</strong></p>
<p>Um monarca não é uma pessoa que vem de longe, que fica por quatro anos, é reeleito e depois vai embora. A Monarquia dá-nos um <i>back up</i> [salvaguarda], a República não porque se esgota nos mandatos. Mas as famílias reais, por seu turno, também têm de construir, e temos bons exemplos recentes disso. Estes elementos mais novos das casas reais [os príncipes] estão ainda melhor preparados.</p>
<blockquote><p>“A Monarquia, por seu turno, também tem de construir. E estes elementos mais novos das casas reais [os príncipes] estão ainda melhor preparados”</p></blockquote>
<p><b>Em Portugal há Casa Real. O que esperar?</b></p>
<p>Sou realista, cem anos de República mataram oito séculos de Monarquia. Acho que não é reversível porque não há memória. Mas é importante lembrar que a Casa de Bragança é a reserva da República, pode um dia ser precisa e ser chamada. E os príncipes têm-se interessado muito. D. Duarte é muito português, tem sido interessado nas nossas questões e, sempre que pode, tem sempre gestos que o aproximam, por exemplo, com o Brasil, com Angola, com Timor.</p>
<p><b>Em que medida o facto de <a href="https://www.delas.pt/filhos-de-grandes-politicos-de-ferias-dom-afonso-ao-servico-da-sociedade/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dom Afonso ter integrado uma corporação de bombeiros este verão,</a> aquando dos fogos na Serra do Monchique, pode fazer a diferença?</b></p>
<p>Temos de dizer que temos família real, que deve fazer parte do nosso quotidiano. E quanto melhor os conhecermos, melhor. Os príncipes [Afonso, 23 anos, Maria Francisca, 21, e Dinis, de 18] são bem formados, encantadores e simpáticos. São ainda novos, estão a crescer, conhecem muita gente não só na sociedade portuguesa, mas também no estrangeiro. Eles podem vir a ter um certo tipo de funções, ser-lhes encomendadas certas missões que podem realizar ou estarem mais presentes nas nossas vidas.</p>
<p><b>O que se pode esperar de um príncipe como Afonso, sobretudo a nova geração?</b></p>
<p>Pode esperar patriotismo verdadeiro, um interesse pelo seu país e pelas causas. Depois, veremos aquilo a que sejam chamados. Com a formação que têm e como jovens adultos, podem envolver-se em missões como o desporto e a causas sociais. Podem ligar-se aos incêndios, que é uma questão importante, um quebra-cabeças que é preciso resolver.</p>
<p>Imagem de destaque: Sara Matos/Global Imagens<ins></ins></p>
</div>
</article>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://monarquista.com.br/entre-tradicoes-e-mudancas-segue-altaneira-a-nobreza-europeia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">1797</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
