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	<title>Lei Áurea &#8211; Monarquia J&aacute;!</title>
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	<description>Pela restauração da honestidade na vida política! Monarquia Já</description>
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		<title>O massacre de ex-escravos no Maranhão que protestavam contra a República gritando: Viva a Princesa Isabel!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MauroMonarquista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Nov 2021 10:55:06 +0000</pubDate>
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    </div><p>Pouco conhecido, episódio ocorrido no Maranhão em 1889 e chamado de &#8220;<strong>massacre de 17 de novembro</strong>&#8221; foi motivado pelo receio de que o fim da monarquia e o novo regime republicano significariam a volta da escravidão. Era ainda bastante precária a comunicação naquele novembro de 1889. Tanto que as notícias de que o Brasil deixava de ser uma monarquia e passava a ser uma república chegaram a São Luís, no Maranhão, apenas na edição de 17 de novembro de 1889 do jornal republicano O Globo — dois dias depois do fato ocorrido no Rio, então capital do país.</p>
<p>Apesar dessa lentidão no fluxo de informações, há algo em comum com os dias atuais: boatos infundados rivalizavam com as notícias verdadeiras e, por vezes, meios de comunicação e jornalistas eram os alvos da ira.</p>
<p>Foi nesse contexto que <strong>uma pouco conhecida rebelião ocorreu</strong>: entre 2 mil e 3 mil negros, chamados pela imprensa da época de &#8220;<strong>libertos</strong>&#8220;, &#8220;<strong>ex-escravos</strong>&#8221; e &#8220;<strong>cidadãos de 13 de maio</strong>&#8221; — em alusão à data da <strong>Lei Áurea</strong>, proclamada no ano anterior — foram até a praça em frente à sede do jornal, um veículo republicano.</p>
<p>Era um protesto contra a República recém-proclamada e pela volta da monarquia extinta. Mas o que esses militantes queriam, na verdade, era garantir seus direitos. Estavam movidos por uma fake news: a de que o novo regime os &#8220;reescravizaria&#8221;. Na lógica do boato, a explicação estava em dois pontos: fora a monarquia que havia decretado a lei libertadora; e a República tinha na sua base a elite ruralista, ou seja, justamente os escravocratas.</p>
<p><strong>&#8220;Soldados atiraram para matar&#8221;</strong></p>
<p>Armados com fuzis, 12 soldados foram destacados para proteger a praça, o jornal, a cidade. E não pestanejaram: dispararam contra a multidão. Oficialmente, foram quatro mortos e dezenas de feridos. Mas historiadores acreditam que o número possa ser ainda maior.</p>
<p>&#8220;<strong>O massacre de 17 de novembro foi o desfecho violento de um grande protesto de gente negra contra as notícias da proclamação da República</strong>&#8220;, explica o sociólogo Matheus Gato, professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor de O Massacre dos Libertos: Sobre Raça e República no Brasil.</p>
<p>&#8220;<strong>Essas pessoas imaginaram que a mudança de regime podia levar a retrocessos no tocante ao direito de liberdade que muitas delas haviam conquistado pouco tempo antes</strong>&#8220;, acrescenta.</p>
<p>Contribuiu para a confusão o ambiente de profunda desorganização institucional. Conforme conta Gato, as notícias da proclamação no Maranhão foram, naquele momento, veiculadas apenas pelo jornal O Globo — nenhuma instituição oficial havia se posicionado a respeito.</p>
<p>Em artigo publicado no livro História do Maranhão: Novos Estudos, o historiador Luiz Alberto Ferreira afirma que foram mais de 400 os feridos, muito deles com gravidade. E argumenta que <strong>os soldados atiraram &#8220;para matar&#8221;</strong>, considerando que relatórios da Santa Casa, feitos na época, indicam que muitos &#8220;<em><strong>foram alvejados na parte superior do corpo</strong></em>&#8220;.</p>
<p>O historiador chama o acontecimento de fuzilamento e de massacre.</p>
<p>Assassinato de memórias</p>
<p>A despeito do número relativamente pequeno de mortos, o sociólogo Gato concorda com a definição de massacre porque, além da intenção de matar, a ideia de massacre não seria apenas baseada na &#8220;<strong>quantidade de vítimas</strong>&#8220;, mas também da maneira como <strong>as memórias são assassinadas</strong>.</p>
<p>No caso do episódio, eram homens que estavam dispostos a dar suas vidas pelo medo de serem escravos novamente. A ideia de massacre, para o sociólogo, resume então &#8220;<strong>todo o conjunto de violências e humilhações</strong>&#8220;, a base da &#8220;<strong>formação do racismo estrutural brasileiro</strong>&#8220;.</p>
<p>Outra evidência encontrada nas pesquisas realizadas por Gato diz respeito ao alto número de amputações realizadas dentre os alvejados que foram atendidos no hospital logo após o incidente. Também se somam aos relatos casos de tortura contra aqueles que acabaram detidos por incitarem a confusão.</p>
<p>O historiador Philippe Arthur dos Reis, pesquisador vinculado a Universidade de Estrasburgo, na França, avalia que o episódio tem esse potencial para romper o lugar-comum de que o episódio da proclamação da República foi assistido passivamente pela população brasileira.</p>
<p>&#8220;<em><strong>Tem uma importância crucial no entendimento da formação da sociedade moderna por evidenciar esses conflitos em torno da questão política e da disputa de diferentes agentes desse processo político</strong></em>&#8220;, diz Reis. &#8220;<em><strong>Revela muito sobre nossa formação enquanto país e as disparidades existentes entre as regiões, dado que não foi unânime a nossa proclamação da República.</strong></em>&#8221;</p>
<p>Na opinião dele, na análise do episódio não está em discussão &#8220;<em><strong>simplesmente a defesa da monarquia ou da república</strong></em>&#8220;, mas principalmente a participação popular.</p>
<p><strong>Apagamento histórico</strong></p>
<p>Gato explica que o episódio do massacre de 17 de novembro é pouco conhecido da historiografia porque &#8220;<em><strong>houve uma tentativa de banalizar e silenciar o lugar desses revoltosos no período de mudança de regime político</strong></em>&#8220;.</p>
<p>Ele mesmo conta que se deparou com os relatos pela primeira vez em obras de ficção, como em textos do escritor maranhense Raul Astolfo Marques (1876-1918).</p>
<p>Instigado pelas narrativas, decidiu buscar o contraponto nos jornais da época. &#8220;<em><strong>Eu pensei que [essas histórias] se tratassem de ficção. Mas, para minha surpresa, descobri que, sim, o episódio havia mesmo acontecido.</strong></em>&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div class="article__content--credit"><span class="article__content--credit__source"><a title="Deutsche Welle" href="https://www.dw.com/pt-br/not%C3%ADcias/s-7111" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" src="https://p2.trrsf.com/image/fget/sc/80/30/images.terra.com/2012/05/02/dw-brasil20120502090707.jpg" alt="Deutsche Welle" width="80" height="30" /></a></span><span class="article__content--credit__source-text ">A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.</span></div>
<div>
<p><strong>Pessoas mortas no Massacre de 17 de Novembro</strong></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2184" src="http://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-mortas.jpg" alt="" width="1299" height="787" srcset="https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-mortas.jpg 1299w, https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-mortas-300x182.jpg 300w, https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-mortas-1024x620.jpg 1024w, https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-mortas-768x465.jpg 768w" sizes="(max-width: 1299px) 100vw, 1299px" /></p>
<p><strong>Fonte:</strong> José Thomaz da Porciuncula, <em>Relatório com que o Exmo Im. Dr. Thomaz da Porciuncula passou à Administração do Estado em 7 de Julho de 1890</em>, 1890, p. 6.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Pessoas feridas no Massacre de 17 de Novembro</strong></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2183" src="http://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-feridas.jpg" alt="" width="1422" height="1035" srcset="https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-feridas.jpg 1422w, https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-feridas-300x218.jpg 300w, https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-feridas-1024x745.jpg 1024w, https://monarquista.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Matheus-Gato_pessoas-feridas-768x559.jpg 768w" sizes="(max-width: 1422px) 100vw, 1422px" /></p>
<p><strong>Fonte:</strong> José Thomaz da Porciúncula, <em>Relatório com que o Exmo Im. Dr. Thomaz da Porciúncula passou à Administração do Estado em 7 de Julho de 1890</em>, 1890, p. 7.</p>
<blockquote><p>Daí a pouco ouviu-se o estrondo dos primeiros tiros.<br />
(…). Os negros se imobilizaram, comprimidos na rua dos Barbeiros, como se fossem retroceder. Uma parte deles chegou a refluir para o Largo do Carmo, num esboço de correria pânica. Silêncio. E depois um grito que se repetiu: – É pólvora seca!</p>
<p>Logo a multidão volveu à boca da rua, mais impetuosa, mais aguerrida, como incitada pelo fiasco da represália. Por cima das cabeças só se viam os cacetes e as barras de<br />
ferro. Na claridade dos lampiões reluziam as lâminas das facas, das navalhas e dos punhais. E de vez em quando, por cima do marulho da multidão enfurecida, o coro de vozes se repetia: – Viva a princesa Isabel!</p>
<p>De novo estrondaram os tiros, e desta vez as cargas se repetiam, cerradas, umas atrás das outras. Agora não eram tiros a esmo para intimidar o povo, eram cargas de balas<br />
sobre os negros, matando uns, ferindo outros, e obrigando a multidão retroceder, ladeira acima no sentido do Largo do Carmo, ladeira abaixo no sentido da Praia Grande. Era o salve-se quem puder no atropelo da debandada. E de mistura da fuga dos pretos, que iam largando pelo caminho as suas armas, começaram a soprar os ventos gerais, sibilando, zinindo, assobiando, como a vaiar e a perseguir os fugitivos, que se dispersaram pelas ruas.</p>
<p>Damião deu por si ao pé da ladeira da Palma, junto a um negro ensanguentado. Com um lenço procura conter-lhe a hemorragia: – Vai passar, vai passar – tornava a dizer-lhe, tentando animá-lo, mas sentia que a vida do outro se esvaía no sangue que não parava.</p>
<p>Adiante, na mesma calçada, havia dois mortos. Dois outros pouco além, na calçada fronteira. Outros mais, no meio da rua. E feridos por toda a parte, gemendo, gritando, pedindo que os socorressem, alguns a se arrastarem nas pedras do calçamento, com as forças que lhes restavam.</p>
<p>Trecho do livro Os Tambores de São Luiz – Josué Montello</p></blockquote>
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