Se arrependimento matasse… A República seria Monarquia!

Republicanos "se arrependeram" de pôr fim à monarquia, mostra livro

Redação | São Paulo – 15/11/2014 – 09h59Em ‘O patriarca e o bacharel’, de 1953, Luís Martins revive sentimento de ‘remorso’ dos republicanos com o fim da Monarquia

No livro O patriarca e o bacharel, publicado pela primeira vez em 1953, o jornalista Luís Martins pesquisa a história paulista para entender um momento peculiar do país: período após à Proclamação da República, quando alguns dos mais destacados líderes pró-república começam a desenvolver uma espécie de arrependimento em relação ao fim da Monarquia e ao tratamento dispensado ao ex-imperador.

Luís Martins (1907-1981) foi jornalista, escritor e crítico de arte. Perseguido pelo Estado Novo de Getúlio Vargas após a publicação do romance Lapa (1936), Martins mudou-se para São Paulo nos anos 1940. Fundador, com Antonio Candido, do Partido Socialista Brasileiro após a redemocratização de 1945, foi, por 35 anos, cronista do jornal O Estado de S.Paulo.

Além de recorrer a Gilberto Freyre às idéias do psicanalista Sigmund Freud, Luís Martins analisa documentos e livros dos anos seguintes ao fim da monarquia para entender o que fez os bacharéis tão defensores da República viverem um sentimento de “remorso” em relação à própria atuação histórica no período imediatamente posterior à proclamação da República.

Martins vai tentar mostrar que "o patriarcado no Brasil é representado por d. Pedro II e que a Proclamação da República é obra dos bacharéis que se insurgem contra esse pai", explica o jornalista Haroldo Ceravolo Sereza, diretor de Redação de Opera Mundi, editor do livro e autor do prefácio à 2ª edição do livro (Alameda).

Veja a entrevista com o prefaciador

"A geração dos bacharéis românticos fez a República, assimilando a figura hostilizada do Pai, até então encarnada na do potentado rural, à do imperador D. Pedro II, que passou a simbolizar, mais do que nunca a entidade paterna. Pedro II foi uma síntese de todos os pais particulares, polarizando os ódios filiais da horda rebelde", diz Luís Martins na introdução do livro.

A reedição de 2008 de O Patriarca e o Bacharel traz também o prefácio original de Gilberto Freyre e a apresentação de Sérgio Milliet.

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