mauro December 28, 2017

Neste ano de 2017, deu-se a coincidência de efemeridades centenárias da major importância para o Brasil e para o mundo. Dentre elas o casamento, faz 200 anos, do Príncipe Real D. Pedro com a Arquiduquesa D. Leopoldina, que viriam a ser nossos primeiros Imperadores.
Assente, já no Congresso de Viena, o reconhecimento do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, impunha-se assegurar, para o herdeiro do Príncipe Regente D. João, uma união a altura do novo patamar a que se elevara a dinastia lusa. D. João apontou alto: deveria vir da Casa d’Austria a escolhida. Mas não era indiferente ao Império austríaco a pretensão: “bella gerant alii, tu felix Austria nube” (guerras, que outros as façam; tu, Áustria feliz, casa-te), rezava o adagio vienense.
Incumbido das tratativas e com precisas instruções de D. João, o Marques de Marialva firmou com o Príncipe de Metternich, em novembro de 1816, um contrato nupcial muito conveniente as duas pates. 0 novel Reino Unido se associava a Casa dos Habsburgos, equilibrando assim a influencia britânica, e por sua vez a Áustria lograva projeção num Novo Mundo que se destacava da velha Europa.
D. Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena recebeu a educação primorosa e requintada que preparava as arquiduquesas para as mais exigentes alianças. A isso presidia a Fé católica e se acrescentava a formação do caráter, expressa nos “Propósitos” por ela assumidos ainda bem jovem. Logo de estabelecido seu destino empenhou-se no estudo das coisas de sua futura Pátria, o Brasil, e incorporou a seu nome o “Maria” tao costumeiro no mundo português.
0 casamento, por procuração, foi celebrado pelo Arcebispo de Viena no dia 13 de maio de 1817, na Igreja de Santo Agostinho, Capela Imperial, sendo D. Pedro representado pelo tio de D. Leopoldina, o arquiduque Carlos.
Ponto culminante das cerimonias, a esplendorosa recepção oferecida por Marialva no Augarten de Viena marcou época, sendo ate hoje corrente entre os vienenses a expressão “casamento brasileiro” para rotular um enlace particularmente faustoso.
Depois de longa viagem e em meio a jubilosa expectativa, D. Leopoldina chegou ao Rio de Janeiro no dia 5 de novembro, conhecendo então seu marido, ele contando 19 anos, ela 20. No dia seguinte receberam a Benção Nupcial, e a capital brasileira teve três dias de brilhantes festejos.
D. Pedro, voluntarioso, generoso, não precisamente mortificado, sinceramente religioso nos grandes momentos, encontrou na preparada e piedosa Arquiduquesa providencial complementação.
Já Princesa Real, o devotamento de D. Leopoldina ao esposo foi inteiro, dando-lhe sete filhos nos nove anos de casamento, quatro dos quais chegaram a idade adulta e dois reinaram: D. Maria II em Portugal e D. Pedro II no Brasil; este, soma feliz das qualidades das duas dinastias e o major dos governantes brasileiros.
Aplicando- se desde logo a sua nova condição, faz-se benquista em todos os níveis e logrou verdadeira popularidade, que, em aumento constante, viria a tornar- se geral veneração no final de seus dias, em 1826.
Com a volta de D. João VI a Portugal em 1821 por exigência das Cortes, D. Leopoldina envolveu-se paulatinamente nos assuntos de governo, secundando D. Pedro, agora Príncipe Regente, nas decisões a tomar. Seu discernimento das linhas mestras da politica nacional, daquilo que estava em jogo, e hoje largamente reconhecido por historiadores.
Três vezes Regente em ausências prolongadas de D. Pedro, ante a ameaça de um retorno do Brasil a condição anterior e o consequente confronto entre “portugueses” e “brasileiros”, D. Leopoldina sustentou firmemente, em colaboração com o grande Jose Bonifácio, a preservação da soberania nacional.
Foi decisiva sua intervenção para o “Fico”. E face ao ultimato das Cortes portuguesas exigindo o imediato embarque de D. Pedro, presidiu, como Regente, a reunião do Conselho de Estado de 2 de setembro de 1822 que deliberou a independência do Brasil. A ata da reunião, firmada por ela e logo enviada ao marido, na Província de São Paulo, ia acompanhada da exortação: “Pedro, o pomo esta maduro, colhe-o agora ou apodrecera”.
0 Grito do Ipiranga, no dia 7, seria a culminação desse processo, assegurando, com a soberania, a integridade de nosso imenso território, que pedia como corolário logico, embora não automático, o reconhecimento do estatuto imperial. Eficazmente reivindicado por D. Pedro junto a Santa Se e as Coroas europeias, para tal reconhecimento foi determinante a anuência obtida por D. Leopoldina de seu pai o Imperador Francisco I.
Estava concluída a obra da Independência.
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Acolhamo-nos a intimidade do Presépio, pedindo confiada e empenhadamente ao Divino Infante, a Maria Santíssima e a São Jose a abundante participação nas gracas do Santo Natal, para cada um de nos, nossas famílias e todos os brasileiros, preparando-nos assim para um Ano Novo de fidelidade, de iniciativas e de conquistas o que desejo com particular afeto aos monarquistas e amigos da Família Imperial.

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